
Após quase dois meses da trágica morte do recruta Davidson Barros em São Vicente, as Forças Armadas de Cabo Verde concluíram seu inquérito, afirmando que o falecimento do jovem não está relacionado a maus tratos ou à participação do recruta na marcha administrativa.
As autoridades militares divulgaram, esta semana o inquérito feito, para esclarecer as circunstâncias em torno da morte de um recruta militar ocorrida há dois meses O incidente, que abalou a comunidade militar e levantou questões sobre os protocolos de treinamento, estava sob análise rigorosa para determinar as causas e responsabilidades.
Em conferencia de imprensa na cidade da Praia, o Chefe de Estado Maior da Corporação Castrense, António Duarte Monteiro, esclareceu que o relatório revelou que a marcha administrativa não teve influência na morte de Davidson Barros, e nenhum abuso foi registrado durante o exercício realizado em 12 de outubro de 2023.
“Não foram constatados atos de abuso contra o recruta antes, durante ou depois da marcha administrativa, nem ocorreram abusos contra os demais recrutas na preparação militar geral”, afirmou Monteiro.
António Duarte Monteiro assegurou que, no momento da entrada no serviço militar, Davidson Barros não apresentava nenhuma patologia que o considerasse inapto. Contudo, em resposta ao incidente, as Forças Armadas estão a desenvolver uma nova tabela para a seleção de cidadãos no serviço militar, visando garantir maior rigor na triagem da capacidade física e psíquica.
“A tabela já foi elaborada e está sob análise do Ministério da Defesa. Estou confiante de que será aprovada em breve e implementada nas próximas provas de seleção militar, previstas para a próxima corporação militar entre março e abril do próximo ano,” declarou o Chefe de Estado Maior.
Além disso, destacou a necessidade de modernizar e equipar a Direção do Serviço de Saúde das Forças Armadas e as enfermarias dos comandos.
“Adotar o centro de instrução militar de Morro Branco de um aparelho desfibrilador, bem como de uma ambulância devidamente apetrechada para fazer face às demandas de um centro de instrução por onde passam centenas de homens e mulheres…”, avançou.
Recorda-se que o recruta Davidson Barros, cumprindo o seu serviço patriótico no Centro de Instrução Militar do Morro Branco, faleceu em 13 de outubro, um dia após sentir-se mal durante uma marcha administrativa em Morro Branco, em São Vicente.
Conforme consta do relatório de autópsia médico-legal, realizada pela Delegacia de Saúde de São Vicente, na cidade do Mindelo, com data de 23 de outubro, a causa principal da morte é edema agudo pulmonar, ou seja, acúmulo de líquidos no pulmão, tendo como causa intermédia funcional falha ventricular esquerda e miocardiopatia dilatada e ainda como causa básica obesidade.