Legislativas 2026: Cinco partidos entram na corrida aos 72 lugares… e todos juram que o povo “quer mudança”

7/05/2026 15:19 - Modificado em 7/05/2026 15:19

Estamos, praticamente, no fim da primeira semana, da campanha eleitoral: mais uma temporada do grande campeonato político cabo-verdiano — aquele reality show nacional onde todos prometem salvar o país, mas onde, no fim, os eleitores continuam à procura do manual de instruções da felicidade.

Por: Eduino Santos

Na linha de partida estão cinco concorrentes: PAICV, Movimento para a Democracia, UCID, PTS e PP.

O objetivo? Conquistar os 72 mandatos distribuídos pelos 13 círculos eleitorais — dez no território nacional e três na diáspora, onde os partidos descobrem, de quatro em quatro anos, que os emigrantes afinal também existem e até votam.

72 cadeiras, muitas promessas e a mesma matemática difícil

O sistema é simples:

  • Poucos lugares
  • Muitos candidatos
  • Promessas infinitas

E como sempre acontece, todos entram na campanha com “grande confiança”, “energia renovada” e “forte ligação ao povo”.

Mesmo aqueles que o povo só vê em campanha.

 O fantasma de 2021 continua sentado à mesa

Nas últimas legislativas, realizadas em abril de 2021, o Movimento para a Democracia venceu com maioria absoluta:

  • 38 deputados para o MpD
  • 30 para o PAICV
  • 4 para a UCID

Os outros ficaram a assistir ao jogo pela televisão democrática.

Agora, a pergunta é saber se o eleitor vai renovar o contrato da estabilidade… ou tentar novamente aquele famoso “agora é que vai”.

 Campanha em andamento … mas o entusiasmo parece em modo económico

O problema é que esta campanha arrancou num ambiente estranho.

Menos carros de som. Menos multidões. Menos bandeiras agitadas com entusiasmo genuíno. E muito menos aquele ambiente de festa que fazia de qualquer comício em Mindelo quase um festival popular.

Hoje os partidos falam… mas o povo parece ouvir com um ouvido e deslizar o dedo no telemóvel com o outro.

O MpD promete continuidade e estabilidade.
O PAICV promete mudança e reconstrução.
A UCID continua a tentar convencer o país de que existe uma terceira via.
O PTS e o PP entram para mostrar que a democracia também gosta de figurantes persistentes.

Enquanto isso, o eleitor olha para tudo isto com aquele ar de quem já viu demasiadas temporadas da mesma série.

 E a verdadeira força política pode estar… na abstenção

Há um dado que paira silenciosamente sobre estas eleições: os níveis crescentes de abstenção.

Porque enquanto os partidos fazem contas aos deputados, há cada vez mais cidadãos a fazer outra conta:

 “Vale mesmo a pena sair de casa para isto?”

E talvez essa seja a pergunta mais perigosa da campanha.

Conclusão à moda das urnas

Cinco partidos disputam 72 cadeiras.

Mas a sensação é que a grande batalha já não é apenas entre governo e oposição.

É entre a política… e o cansaço dos eleitores.

Porque em Cabo Verde continua a haver campanha, slogans, caravanas e discursos.

O que começa a faltar é aquela antiga convicção popular de que, depois das eleições, alguma coisa muda mesmo além dos cartazes.

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2026: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.