Por: Eduíno Santos
Desde que foi decretado o Estado de Emergência em São Vicente em consequência da catástrofe de 11 Agosto o Notícias do Norte insistiu numa pergunta simples e que não devia ser incómoda: onde vai, afinal, o dinheiro público destinado a recuperação anunciada da ilha de São Vicente?

Não em slogans, não em conferências de imprensa, não em visitas guiadas — mas em quadros claros, números verificáveis, obras identificáveis, responsabilidades atribuídas.
Esta semana, o Boletim Oficial trouxe um mapa detalhado do investimento previsto para São Vicente, com valores, setores, entidades gestoras e calendário de execução. Um documento que, mais do que informar, permite fiscalizar.
E isso muda tudo.
Porque quando o Estado escreve preto no branco onde vai gastar 3.485.804.575 escudos, deixa de pedir confiança — passa a aceitar escrutínio. E é exatamente aí que começa a democracia adulta.
Durante muito tempo, fomos acusados de “chatear”.De insistir demais.De fazer perguntas fora de hora. De lançar suspeições .De não alinhar no coro do aplauso fácil.
Mas é precisamente esse jornalismo — o que trabalha com dados, factos e documentos oficiais — que permite hoje à população de São Vicente saber:
Não é opinião. É matéria-prima para a cidadania. Para fiscalização democrática.
Este plano merece elogios. Merece-o porque responde a fragilidades antigas: água, saneamento, estradas, equipamentos públicos, habitação. Merece-o porque reconhece que São Vicente precisa mais do que remendos — precisa de correção estrutural.
Mas o elogio que hoje fazemos não nasce da complacência.
Nasce da coragem de ter criticado quando muitos ficaram caladose outros em cima da parede
Quem hoje aplaude sem memória esquece que:
O prazer de elogiar só é legítimo quando se teve, antes, a honestidade de criticar .
A partir deste momento, a política entra numa nova fase:
cada adjudicação pode — e deve — ser acompanhada; cada atraso pode ser questionado;cada derrapagem pode ser denunciada.
E isso não é hostilidade ao poder.É serviço público.
O Notícias do Norte continuará a fazer o que sempre fez:
ler o que muitos não leem, ou não querem .
cruzar dados,traduzir números em impacto real,e devolver à população aquilo que é seu por direito — informação que permite decidir, cobrar e participar.
Se isso “chateia”, então estamos no caminho certo.
Porque jornalismo que não incomoda o poder,incomoda apenas a verdade.
E a verdade, mesmo quando tarda, acaba sempre por ser publicada.
Espero que a cova de inglesa será comtemplada