Plano de recuperação de SV: Quando o papel deixa de ser promessa e passa a ser prova

26/01/2026 22:52 - Modificado em 26/01/2026 22:52

Por: Eduíno Santos

Desde que foi decretado o Estado de Emergência em São Vicente em consequência da catástrofe de 11 Agosto o Notícias do Norte insistiu numa pergunta simples e que não devia ser incómoda: onde vai, afinal, o dinheiro público destinado a recuperação anunciada da ilha de São Vicente?

Não em slogans, não em conferências de imprensa, não em visitas guiadas — mas em quadros claros, números verificáveis, obras identificáveis, responsabilidades atribuídas.

Esta semana, o Boletim Oficial trouxe um mapa detalhado do investimento previsto para São Vicente, com valores, setores, entidades gestoras e calendário de execução. Um documento que, mais do que informar, permite fiscalizar.

E isso muda tudo.

Porque quando o Estado escreve preto no branco onde vai gastar 3.485.804.575 escudos, deixa de pedir confiança — passa a aceitar escrutínio. E é exatamente aí que começa a democracia adulta.

Durante muito tempo, fomos acusados de “chatear”.De insistir demais.De fazer perguntas fora de hora. De lançar suspeições .De não alinhar no coro do aplauso fácil.

Mas é precisamente esse jornalismo — o que trabalha com dados, factos e documentos oficiais — que permite hoje à população de São Vicente saber:

  • que obras estão previstas,
  • em que bairros,
  • em que setores,
  • com que montantes,
  • e sob responsabilidade de quem.

Não é opinião. É matéria-prima para a cidadania. Para fiscalização democrática.

Este plano merece elogios. Merece-o porque responde a fragilidades antigas: água, saneamento, estradas, equipamentos públicos, habitação. Merece-o porque reconhece que São Vicente precisa mais do que remendos — precisa de correção estrutural.

Mas o elogio que hoje fazemos não nasce da complacência.
Nasce da coragem de ter criticado quando muitos ficaram caladose outros em  cima da parede

Quem hoje aplaude sem memória esquece que:

  • durante meses não houve quadros públicos,
  • não houve discriminação clara de investimentos,
  • não houve instrumentos reais de fiscalização cidadã.

O prazer de elogiar só é legítimo quando se teve, antes, a honestidade de criticar .

A partir deste momento, a política entra numa nova fase:
cada adjudicação pode — e deve — ser acompanhada; cada atraso pode ser questionado;cada derrapagem pode ser denunciada.

E isso não é hostilidade ao poder.É serviço público.

O Notícias do Norte continuará a fazer o que sempre fez:
ler o que muitos não leem, ou não querem .
cruzar dados,traduzir números em impacto real,e devolver à população aquilo que é seu por direito — informação que permite decidir, cobrar e participar.

Se isso “chateia”, então estamos no caminho certo.

Porque jornalismo que não incomoda o poder,incomoda apenas a verdade.

E a verdade, mesmo quando tarda, acaba sempre por ser publicada.

  1. Francisco lopes

    Espero que a cova de inglesa será comtemplada

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