APESC realiza Workshop para debater questões de segurança e prevenção contra acidentes de mergulho

4/02/2024 21:08 - Modificado em 4/02/2024 21:08

O workshop realizado este domingo, 04, pela Associação dos Armadores de Pesca de Cabo Verde (APESC) reuniu líderes do setor pesqueiro, especialistas, e representantes governamentais para discutir os desafios enfrentados pelo setor das pescas em Cabo Verde e explorar as inovações que estão a moldar a indústria.

O representante da APESC, Suzano Lima, disse que a segurança de todos os envolvidos é uma preocupação da associação.

“Entendemos que esta classe de profissionais, que muitas vezes não é mencionada, dedicam a uma profissão de muito risco e que nacionalmente, temos muitos mergulhadores que. Hoje, são vítimas de uma doença chamada doença de descompressão ou doença de mergulho e conhecida pela doença do caixão”, reiterou Suzano Lima, que fez uma chamada de atenção aos envolvidos para quais as melhores práticas para atenuar os riscos desta atividade.

E por isso diz que no final do Workshop vai ser elaborado um relatório com propostas concretas para o governo analisar e ter em conta, para garantir a segurança destes homens que labutam no mar à procura do seu ganha-pão.

Já para o ministro do mar, que foi convidado a presidir o Workshop, respondeu aos apelos feitos pelos interlocutores e mostrou-se aberto a receber, em nome do governo, as propostas a serem elaboradas pela APESC, no que diz respeito à segurança marítima.

Abraão Vicente diz que é com tristeza que fala sobre o número de pessoas, de jovens, de chefes de família que se encontram em situação de incapacidade devido à sua vida profissional ligado ao mar e que são, de certa forma, determinados pela inexistência de condições de segurança no grupo.

“Estou a falar do terreno. Visitei várias comunidades piscatórias e neles todos não há apenas líderes de família, mas também jovens, muito jovens, que arriscaram a vida para ter o pão com manteiga, mas quando retornaram do fundo do mar ou nas profundezas, não tiveram apoio logístico suficiente para fazer o regresso na sua totalidade”, lamentou o governante, que se mostra preocupado com o número de casos a nível nacional.

Neste sentido, diz que esta situação deve ser motivo de reflexão, não só do Estado, do governo, como disse, mas das associações de pesquisadores, jovens e profissionais do setor.

“Porque antes de tudo, quem perde o líder da família são as suas famílias. Quando um jovem pede ajuda financeira para recomeçar a sua vida, é um recomeço incompleto, porque é um recomeço não nas condições do passado, com pouca saúde, com poucas possibilidades de gerar rendimentos e riqueza para a família dele”, justificou.

Por isso, em nome do Ministério do Mar e do governo que tem a tutela, mostrou disponibilidade para criar as soluções, nomeadamente a compra das câmaras e a formação de uma equipa técnica. Contudo, lembrou que é preciso especificar quais os meios técnicos necessários.

A nível de estatísticas diz que em novas ilhas, cada ilha com várias comunidades piscatórias, não existe a comunicação do número de pessoas que praticam mergulho comercial, apesar da obrigatoriedade das licenças.

Portanto, defende que é preciso, não só de criar condições logísticas para o tratamento, mas de ter um programa nacional de sensibilização e pedagogia.

Reconhece ainda que a falha do governo na criação dos mecanismos de uma instituição de certificação de instrumentos de mergulho.

“Temos disponibilidade para, em 2024, avançar numa parceria com a APESC, e quando digo isso é porque é a instituição que está ainda mais próxima da comunidade. Estamos disponíveis para, depois dos relatórios, depois das informações, depois das recomendações, e das universidades, das instituições com as quais estamos a trabalhar, estamos disponíveis para uma parceria público-privada. Primeiro, encontre os meios técnicos que desejamos”, pediu.

Em segundo lugar, disse que o governo poderá criar um vasto programa de educação, sensibilização e pedagogia nas comunidades.

Terceiro, garantiu que é essencial considerar este ano como um ano de segurança, também nesse sentido. “Criar todas as condições, formalizar e registar, para legalizar uma instituição, um mecanismo de certificação, para os instrumentos do orgulho”.

“Acredito que este ano, deve ser uma das nossas maiores prioridades, e como Ministro do Mar, e como parte do governo, assumimos publicamente as nossas responsabilidades.”

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