20 de Janeiro: “São Vicente foi importante, determinante para a formação de Amílcar Cabral” – Silvino da Luz

21/01/2024 01:16 - Modificado em 21/01/2024 01:16

 O antigo combatente da liberdade da pátria e ex-dirigente do País enalteceu hoje, no Mindelo, que a ilha de São Vicente foi “importante e determinante” para a formação de Amílcar Cabral e a sua personalidade.

Sílvino da Luz teceu essas considerações como orador da Conferência “Amílcar Cabral – De São Vicente para o mundo”, realizado pela Câmara Municipal de São Vicente para assinalar o Dia dos Heróis Nacionais, comemorado hoje, e o Dia do Município, comemorado a 22 de Janeiro.

Segundo a mesma fonte, Cabral, “cuja itinerância diplomática a favor da libertação foi extraordinária, começa por ganhar dimensão ecuménica e planetária quando chega a São Vicente” para fazer os estudos secundários no Liceu Infante Dom Henrique, e posteriormente, Liceu Gil Eanes, entre os 13 e os 19 anos.

“O meio social, político, sindical, cultural, literário e académico do Mindelo dos 30 e 40 de então foi muito importante para o seu amadurecimento como homem político, revolucionário, bem como para o transformar na personagem que se tornou para a sua história”, justificou o antigo colega, para quem São Vicente foi “importante, determinante” para Cabral.

Parafraseando Filinto Silva, Silvino da Luz afiançou que Amílcar nasceu em Bafatá (Guiné-Bissau), passou a sua infância e fez os estudos primários em Achada Falcão (Cidade da Praia), mas, Cabral “essa dimensão de homem consciente de si e capaz de pensar no mundo em multi-evidência”, nasceu em São Vicente, onde adolescente se fez jovem.

Acredita que a figura revolucionária, “aflorou-se” do cosmopolitismo do Porto Grande.

Fazendo uma retrospectiva das iniciativas escolares de Amílcar Cabral, no Mindelo, entre estes de ter criado a associação desportiva do Liceu Gil Eanes, presidente da Associação dos Estudantes, ilha onde escreveu os primeiros cadernos de poesia, aderiu à Academia Cultivar, entre outras, faz aperceber-se o quão integrado estava Cabral no espírito da época, da juventude mindelense.

Por outro lado, acredita que Cabral ficou “muito impressionado” por ter sido, no Mindelo, as primeiras greves operárias de Cabo Verde, algo que deixou marcado nos seus escritos, hoje revisitados por diversos estudiosos do mundo inteiro.

“Ter essa consciência histórica ajudará a compreensão colectiva sobre o estatuto e papel de São Vicente no contexto nacional e internacional, assim como permitirá dilatar o quanto moldou a figura de Cabral e de muitos nacionalistas modernos surgidos nesta ilha, que, a miúde, aglutinava a maior parte das forças vivas da sociedade cabo-verdiana de então”, sustentou.

Sendo, assim, deixa o apelo para os autarcas do País ajudarem na dinamização dos feitos de Cabral, que, mesmo com os atropelos à sua memória como “pai” da Nação cabo-verdiana, é a quem Cabo Verde deve os feitos de trilhar caminhos de desenvolvimento e de merecer destaque a nível internacional.

“Os ensinamentos de Cabral merecem ser retirados da espuma da memória e serem reavaliados à luz do século XXI”, exortou.

Amílcar Cabral nasceu a 12 de Setembro de 1924, em Bafatá, Guiné-Bissau, filho de Juvenal Cabral e Iva Pinhel Évora. Cabral foi poeta, agrónomo, e considerado “pai” da independência conjunta de Cabo Verde a 5 Julho de 1975 e Guiné-Bissau oficialmente a 10 Setembro de 1974.

A 20 de Janeiro de 1973, o fundador do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) foi assassinado na Guiné-Conacri, a oito meses da declaração, de forma unilateral, da independência da Guiné-Bissau.

Inforpress/Fim

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