Na visita efetuada em julho deste ano, o Ministro do Mar afirmou que as conclusões das obras do Terminal de Cruzeiros do Mindelo, estavam previstas para finais de janeiro de 2024. Contudo, com os atrasos notados durante a visita de hoje, 12 de dezembro, visando acompanhar o andamento dos trabalhos, Abraão Vicente, apontou uma nova data, fim do primeiro semestre de 2024.
Para o governante, vê-se claramente o consórcio empreiteiro luso-cabo-verdiano (Mota-Engil – Engenharia e Construções e Empreitel Figueiredo) não vão conseguir cumprir o prazo estabelecido, mas lembrou que existem dispositivos legais que vão acionar, não para penalizar, mas para garantir que os interesses do Estado de Cabo Verde e da ENAPOR sejam garantidos. “O prazo inicial é janeiro, mas o último plano de trabalho apresentado pela empresa aponta para março”.
Apesar dos atrasos, citou os avanços assinaláveis, como na construção do edifício chamado “Home Porto”, que é o sítio onde os turistas vão ser acolhidos. Também já se conseguiu instalar cerca de 50 estacas daquilo que será o Porto, temos uma área de 2.700 metros quadrados conquistados ao mar, e falta, claramente, a questão logística”, referiu o governante.
As obras decorrem em três frentes de trabalho, como a construção da gare, de toda a rampa a entrar no mar e a reabilitação do cais n. 9, que passará a servir navios de recreio, citou o governante, que crê que as obras decorrem em bom ritmo.
A nível da logística garantiu que todos os materiais necessários para que as obras se desenvolvam a bom ritmo estão todos no porto e que este atraso, já que a conclusão das obras estava previsto para janeiro do próximo ano, não terá nenhuma implicação para o Estado de Cabo Verde.
“Nós somos beneficiados pelo contrato que nós temos. A equipa jurídica da ENAPOR e o Estado garantiram, por meio de um contrato, que cada dia de atraso será penalizado. E como temos uma obra de grande complexidade, obviamente que de parte a parte teremos que negociar”, elucidou Abraão Vicente, que destaca o trabalho feito pela ENAPOR na gestão da obra, que o investimento será garantido, e que as obras serão terminadas com a qualidade elencada.
O terminal será servido por uma gare marítima para passageiros, uma vila turística junto à marginal do Porto Grande, que vai ter lojas, free-shops, restaurantes, bares, pequenos museus e souvenirs. Aspetos que levam o ministro a realçar a importância do projeto para São Vicente, pelo seu valor e impacto a nível turístico.
Com a instalação deste terminal, Abraão Vicente, espera que toda a orla marítima do Porto Grande de Mindelo comece a ser reabilitada para poderem ter outras condições. “Há muitos anos que a Baía do Mindelo, considerada uma das mais belas do mundo, precisa de uma obra de intervenção que a ponha ao nível das grandes baías do Mundo”.
Por isso, espera que ao terminar as obras do Terminal de Cruzeiros, a cidade entre em obras para se adaptar aos novos tempos, para a circulação de pessoas.
Com isso, Abraão Vicente é preciso que a cidade esteja pronta para uma revolução, para que Mindelo compreenda que o terminal, não é apenas uns cais para os navios atracarem.
“É uma oportunidade de negócios com um mercado flutuante que é absolutamente gigantesco. Ou seja, precisamos de mais restaurantes, mais espaços de artesanato, mais espaços de teatro, de animação, de entretenimento”, apontou o ministro, fazendo fé que “acordem para esta nova realidade”, isso porque, defendeu, se os empresários do Mindelo não aproveitarem esta oportunidade, serão outros cabo-verdianos e estrangeiros que se mudarão para a ilha para aproveitar as oportunidades que estão as serem criadas.
Avaliado em 26 483 603€, o lançamento da primeira pedra de construção do Terminal do Mindelo aconteceu no 19 de janeiro de 2022 e tem um prazo de execução de 22 meses.
O terminal será servido por uma gare marítima para passageiros, uma vila turística junto à marginal do Porto Grande, que vai ter lojas, free-shops, restaurantes, bares, pequenos museus e souvenirs.
Prevê ainda a construção de um molhe de atracação de 400 metros de comprimento com uma profundidade de 11 metros a norte e nove metros a sul.
Elvis Carvalho