A profissionalização da arte passa necessariamente pela internacionalização – Projeto Tripé  

6/11/2023 16:07 - Modificado em 6/11/2023 16:07

No âmbito do projeto “Tripé” que resulta da parceria entre associações artísticas nacionais de São Vicente (Mindelact), Santiago (Raiz di Polon) e São Nicolau Projeto (Chiquinho), são apresentados durante a 29.ª edição do festival Mindelact, 13 produções de artistas cabo-verdianos no domínio do teatro saídas do projeto, doze das quais em estreia absoluta, que procuram com este projeto a profissionalização das artes, através da internacionalização.

Para o presidente da Associação Mindelact, a  questão da mobilidade e profissionalização que se coloca relativamente às artes performativas, dentro do mercado interno, impossibilita pensar nesta componente da profissionalização.

João Branco defende que a profissionalização da arte em Cabo Verde, passa necessariamente pela internacionalização. “Não há outra maneira. Só colocando o artista no mercado internacional é que se consegue que o artista cabo-verdiano possa viver da sua arte, ou pelo menos, trazer mais rendimento do seu trabalho artístico”, justificou.

Para tal, foi montado o projeto “Tripé”, que é um projeto de residências artísticas, que pretende a internacionalização dos artistas que estiveram envolvidos no projeto.

Financiado no âmbito do programa Pró-Cultura do Ministério da Cultura de Cabo Verde, o projeto tem o co-financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian. 

“São treze criações, doze delas são estreias absolutas, menos o “Coração de Lava” de Raiz di Polón”, apontou João Branco, que diz ser inédito, no panorama cultural do país, que estes trabalhos na área da dança, teatro e da performance, sejam apresentados em estreia, em curto tao espaço de tempo.

“Estes trabalhos têm potencial para serem levados para fora do país”, isso, porque segundo João Branco, são espetáculos criados para serem facilmente montados em qualquer parte, com equipas pequenas com cenários transportáveis, pensadas no âmbito das suas montagens.

São criações individuais, ou com equipas pequenas que têm tido, ao longo destes dois anos, que o projecto tripé está no terreno, a mentoria de artistas internacionais. 

“Convidamos e trazemos artistas internacionais sugeridos por nós ou curador, que foi uma exigência da Fundação. Os artistas chegam para fazer estas residências, com três componentes, sendo a primeira componente, o próprio artista que vem de fora para fazer o seu trabalho de pesquisa como criador, e a segunda componente, é que este artista dá oficinas à comunidade. E a terceira componente são as mentorias, com acompanhamento próximo dos artistas e criadores locais”, elencou este responsável. 

Ainda conforme João Branco, no âmbito do Mindelact foi contratado uma equipa de fotógrafos e de videomakers, e para captação de imagens que no final, serão usados para montar um dossiê de produção e a partir dali estes 13 trabalhos, prossegue, vão ter todo o material necessário para ser vendável.

“Nenhum evento ou instituição internacional compra um trabalho sem um dossiê, vídeo e fotografias de qualidade. Estamos a montar uma rede de criadores nacionais e tentar que se expanda nacionalmente”, atirou João Branco.

Assegura que este é um projeto multifacetado, mas o seu objetivo final é precisamente, tal como o programa Pró-cultura, criar a partir do trabalho artístico atividades geradoras de rendimento.

As atrizes Débora Roberto, do projeto “Tripé”, destacam o facto de através dele, conseguirem ter maior liberdade de criarem, de expressarem à sua maneira e serem pagos por isso. 

Para Mara Monteiro, um dos passos importantes para esta profissionalização, passa, primeiro, apontou, pela criação de políticas públicas do Governo, visto os artistas, defende, já estão a fazer a sua parte.

 “É preciso trabalhar com os artistas e criar formas para podermos ter este ‘backup’ quer a nível financeiro. Já que a nível de produção e mentoria já temos agora, é necessário que o Estado faça algo para que se crie este Estatuto do artista, para podermos ser profissionais na nossa área”, atirou esta jovem artista, que lembrou, que apesar de existirem artistas no país que são profissionais, mas não neste caso, os atores atrizes do teatro.

Ou seja, um passo importante para poderem continuar a caminhar, sendo que o teatro, defendem tem sido uma arte extremamente importante e que sempre valeu ter profissionais nesta área.

Para Narcisa Costa, da Fundação Calouste Gulbenkian, o papel da fundação é especialmente importante, que é, entre outros, de fazer o papel de alguém que cria pontes, que dá ferramentas, capacita e que promove estruturas e redes que permitam, que o talento existente seja desenvolvido e que tenham condições para o fazer. 

“Criar bolsas de apoio, quer entre artistas, quer estruturas que possam ajudar, em último caso, na internacionalização, mas também, antes disso, no próprio fortalecimento cultural na terra e valorizando o que é nosso”.

E para isso, diz que a fundação tem como prática, de estar próximo dos projetos. “É no terreno que fazemos o nosso trabalho e assim, saber qual o passo seguinte que potenciem o que pode ser feito”.

Elvis Carvalho

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