
Humbertona, Humberto Bettencourt Santos, é considerado um dos principais solistas do violão de Cabo Verde, uma das referências do instrumento, nasceu a 17 de Fevereiro de 1940, em Tchã de Manilin, a norte de Santo Antão, localidade pertencente ao então Concelho do Paul, onde residiu até aos dois anos de idade, altura em que se radicou na ilha vizinha de São Vicente, juntamente com os respectivos pais. Faleceu esta quinta-feira, 10 de agosto 2023, vitima de doença prolongada.
Conforme informações recolhidas por este online, Humbertona encontrava-se doente há alguns anos.
Estreou-se em 1957, no mítico Éden Park, em São Vicente e em 1964 em conjunto com os irmãos Marques da Silva, forma o conjunto, o Ritmos Caboverdianos, no qual optaria por utilizar a guitarra elétrica.
Ainda em 1966, em Roterdão, grava “lagrima” e dor, que sai em 1967 e “Morna ca so dor”, de 1969, entre outros.
Os Ritmos Caboverdianos fizeram grande sucesso. Além de Humbertona e Tony Marques, compunham ainda o grupo os músicos Djosa (bateria), Lulu no acordeão e percussão, Djack de Câmara no baixo elétrico e Longines na voz.
Foram dos primeiros grupos com instrumentos eletrificados a fazerem sucesso em Cabo Verde.
Humbertona, que era o viola solo do conjunto, teve um papel fundamental na adaptação inicial da guitarra elétrica à música de Cabo Verde, que até então era esporadicamente utilizada.
“É uma das maiores referências do violão cabo-verdiano. Solista de excelência, Humberto Bettencourt Santos (Humbertona) é possuidor de um virtuosismo nato na execução e ao qual impõe um estilo característico e diferenciador. Na história da morna cabo-verdiana, para sempre ficarão na memória de todos temas como Sodade, Dispidida ou Miss Perfumado. Mas nem só de música é feita a carreira deste notável cabo-verdiano”, lê-se no artigo da página “Nos Genti”.
DISCOGRAFIA

De embaixador, a chefe de missão junto das Nações Unidas, Humbertona foi ainda membro da delegação responsável pelas negociações com Portugal dos termos e acordos para a Independência Nacional.
Foi ainda gestor empresarial e presidente do conselho de administração da CV Telecom durante mais de dez anos. Foi cônsul honorário da Holanda e Bélgica, consultor e membro da comissão de honra da candidatura da morna a Património Imaterial da Humanidade.
NN/Nos Genti