
Com a chegada iminente da temporada de chuvas, os agricultores da região de Txon d’Holanda, na ilha de São Vicente, vivem momentos de apreensão e temor diante da possibilidade de enfrentar novamente os prejuízos catastróficos causados pelas chuvas do ano passado, de acordo com o líder associativo local.
O presidente da Associação Agrícola para o Desenvolvimento de Txon d’Holanda, António Monteiro, expressou sua apreensão quanto aos prejuízos que poderão ocorrer devido à falta de desvio de água. Além disso, a falta de manutenção de equipamentos e a ausência de apoio por parte das entidades do setor da agricultura têm agravado a situação.
“Este ano, acho que se houver muita chuva, os prejuízos vão ser avultados porque ainda não foi feito nenhum desvio de água”, expressou Monteiro.
A máquina enviada pela Câmara Municipal de São Vicente, diz, durou apenas três dias devido à falta de manutenção adequada. Até o momento, os agricultores da região estão sem a máquina necessária para realizar os desvios de água.
A falta de solução para os problemas enfrentados no ano passado também tem sido uma fonte de preocupação. Monteiro ressaltou que as associações de Ribeira de Vinha e Txon d’Holanda tiveram que unir esforços para resolver os problemas decorrentes de uma vala que apresentou defeitos. “Infelizmente, os problemas do ano passado ainda não foram resolvidos ou nunca tivemos nenhum tipo de apoio”, lamentou o responsável.
Outro desafio apontado pelos agricultores da região é a falta de preparação para receber as chuvas. A ausência de limpeza adequada em áreas onde a água costuma passar livremente acaba criando obstáculos e desvios indesejados, resultando em prejuízos.
António Monteiro destacou a falta de mão de obra para trabalhar nos terrenos agrícolas como um problema recorrente, afirmando que os próprios proprietários fazem o que podem. No entanto, a escassez de trabalhadores continua sendo uma questão preocupante.
Além disso, as pragas da lagarta do cartucho do milho e dos gafanhotos têm sido um grande desafio para os agricultores. Djunga, um dos beneficiários do projecto, mencionou que o problema dos gafanhotos começa antes mesmo da temporada de chuvas, com a desova desses insetos já iniciando em junho.
E lamentou a suspensão de um produto eficiente para combater os gafanhotos, ressaltando que em Portugal esse produto é utilizado sem problemas. “Será que o Ministério da Agricultura em Cabo Verde é amigo dos agricultores ou amigos das pragas que têm devastado as nossas culturas?”, questionou Monteiro, enfatizando que os agricultores são frequentemente prejudicados.
Vale ressaltar que as chuvas intensas do último mês de setembro causaram grandes danos às áreas agrícolas, além de perdas de gado.
Com a aproximação da nova temporada de chuvas, os agricultores de Txon d’Holanda esperam que medidas sejam tomadas para enfrentar os desafios iminentes e que o apoio das entidades do setor seja direcionado de forma eficiente para garantir o desenvolvimento sustentável da agricultura na região.
AC – Estagiária