
Os 20 indivíduos detidos no âmbito da Operação ‘Shark’, da Polícia Judiciária (PJ), suspeitos de tráfico de droga, branqueamento de capitais e associação criminosa, começaram a ser ouvidos esta quinta-feira por um juiz, depois de terem sido apresentados ao tribunal na terça-feira, dia 4. Entre os detidos estão quatro agentes da Polícia Nacional, cinco guardas prisionais e um alto dirigente da Administração Pública.
Os suspeitos, 17 homens e três mulheres, com idades compreendidas entre os 20 e os 60 anos, foram conduzidos ao tribunal na tarde de terça-feira, em três viaturas Hiace, sob forte aparato policial. No entanto, segundo uma fonte judicial contactada pela Inforpress, não chegaram a ser ouvidos nessa ocasião.
De acordo com o comunicado da PJ, os detidos foram localizados em diferentes bairros da capital e estão indiciados, em coautoria, pela prática de crimes de tráfico de estupefacientes de alto risco, conversão, dissimulação e branqueamento de capitais, bem como associação criminosa.
A operação contou com a colaboração da Polícia Nacional e da Direção da Cadeia Central da Praia. No seu âmbito, foram cumpridos cerca de dez mandados de busca e apreensão domiciliária, promovidos pelo Ministério Público e emitidos pelo juiz de instrução criminal.
Durante as buscas, as autoridades apreenderam uma espingarda caçadeira, uma pistola de calibre 6,35 milímetros e várias munições. Foram igualmente apreendidas quantidades de cannabis e derivados, cocaína, duas viaturas e diversos equipamentos eletrónicos, que serão submetidos a perícia.
Segundo a Polícia Judiciária, alguns dos detidos já eram referenciados pelas autoridades e tinham condenações anteriores por crimes diversos.
Entretanto, o ministro da Administração Interna, Carlos Sena Teixeira, confirmou ter tido conhecimento dos mandados emitidos pelo Ministério Público. Em declarações à imprensa, à margem de uma visita de trabalho ao município de São Miguel, o governante sublinhou que os factos investigados remontam a 2016 e 2017, portanto, a um período anterior à entrada em funções do actual Governo.
Carlos Sena Teixeira questionou a demora na emissão dos mandados e considerou que o intervalo entre os alegados acontecimentos e as detenções levanta questões que devem ser esclarecidas.
O ministro garantiu, contudo, que o Governo não irá proteger ninguém que cometa crimes, ressalvando que os elementos conhecidos até ao momento constituem apenas indícios e não representam uma acusação formal ou condenação.