EUA: Democratas conquistam o Congresso e impõem pesada derrota a Donald Trump

4/11/2026 13:42 - Modificado em 4/11/2026 13:43

As eleições intercalares realizadas esta terça-feira, 3 de Novembro, nos Estados Unidos, deram uma vitória expressiva ao Partido Democrata, que conquistou o controlo das duas câmaras do Congresso. O resultado representa um sério revés político para o Presidente Donald Trump, que continuará na Casa Branca, mas terá de governar os últimos dois anos do seu mandato sem a maioria republicana que até agora sustentava a sua agenda.

Os norte-americanos foram às urnas e alteraram profundamente o equilíbrio de poderes em Washington. Os democratas conquistaram a Câmara dos Representantes e o Senado, numa eleição marcada pelo descontentamento com o aumento do custo de vida, a guerra com o Irão e as políticas económicas da administração Trump.

Segundo os resultados divulgados pela Associated Press e pela Reuters, os democratas conseguiram retirar aos republicanos pelo menos sete lugares no Senado, incluindo em estados tradicionalmente conservadores como Texas, Kansas, Iowa e Carolina do Sul.

No Kansas, o Partido Democrata elegeu o seu primeiro senador desde 1932. No Texas, bastião histórico dos republicanos, os democratas conquistaram um lugar no Senado e venceram também a eleição para governador, derrotando o republicano Greg Abbott.

Na Câmara dos Representantes, os democratas conquistaram mais de duas dezenas de círculos anteriormente controlados pelos republicanos, incluindo territórios onde Trump tinha obtido vitórias expressivas nas presidenciais de 2024.

O custo de vida e a guerra pesaram nas urnas

A economia, que ajudou Donald Trump a regressar à Casa Branca em 2024, tornou-se um dos principais factores de desgaste da sua administração.

O aumento dos preços dos bens essenciais, os efeitos das tarifas comerciais e a subida dos combustíveis, agravada pelo conflito com o Irão, estiveram entre as preocupações manifestadas pelos eleitores.

As sondagens à boca das urnas e os estudos eleitorais apontam para um eleitorado insatisfeito com a evolução económica e preocupado com o rumo político dos Estados Unidos.

A mensagem eleitoral parece particularmente significativa: a insatisfação ultrapassou os tradicionais bastiões democratas e atingiu estados e comunidades que tinham contribuído decisivamente para a eleição de Trump há apenas dois anos.

Trump mantém a Presidência, mas perde o controlo do Congresso

A vitória democrata não significa a saída de Donald Trump da Casa Branca. O Presidente mantém as suas competências constitucionais, incluindo o direito de veto sobre a legislação aprovada pelo Congresso.

Contudo, a partir de Janeiro de 2027, enfrentará um poder legislativo controlado pela oposição, com capacidade para bloquear propostas, fiscalizar a administração, realizar investigações parlamentares e dificultar a confirmação de nomeações presidenciais.

Hakeem Jeffries, líder democrata na Câmara dos Representantes, poderá tornar-se o primeiro afro-americano a ocupar a presidência daquela instituição, caso seja eleito pelos deputados quando o novo Congresso entrar em funções.

Trump procurou desvalorizar a dimensão pessoal da derrota, atribuindo os resultados à escolha dos candidatos republicanos. Numa entrevista à Fox News, afirmou que os eleitores não tinham gostado dos candidatos, rejeitando interpretar os resultados como uma derrota pessoal.

Os dirigentes democratas, por seu lado, consideram que os eleitores exigiram uma mudança na orientação política do país.

E Cabo Verde, o que pode esperar?

Para Cabo Verde, a alteração do equilíbrio político em Washington merece atenção, sobretudo nas áreas da imigração, da cooperação internacional e das relações entre os Estados Unidos e África.

A numerosa comunidade cabo-verdiana residente nos Estados Unidos acompanha directamente as decisões norte-americanas em matéria migratória, económica e social.

O novo Congresso poderá introduzir maior escrutínio sobre a política externa e migratória da administração Trump, embora uma maioria democrata não signifique, por si só, uma alteração imediata das políticas presidenciais.

Também a evolução do conflito no Médio Oriente continuará a ter consequências que ultrapassam as fronteiras norte-americanas. Cabo Verde, fortemente dependente da importação de combustíveis, permanece vulnerável às oscilações dos mercados internacionais de energia.

Uma derrota com consequências para 2028

As eleições de 3 de Novembro não escolheram um novo Presidente, mas modificaram substancialmente as condições políticas em que Donald Trump exercerá o restante mandato.

Os democratas regressam ao controlo do Congresso e os republicanos terão de avaliar as causas de uma derrota que atingiu até territórios considerados eleitoralmente seguros.

O resultado abre uma nova fase de confronto institucional entre a Casa Branca e o Congresso, ao mesmo tempo que altera o contexto político em que será preparada a sucessão presidencial de 2028.

Donald Trump continua a ser o Presidente dos Estados Unidos. Mas, depois destas eleições, já não governa com um Congresso dominado pelo seu partido. E essa é a principal mudança saída das urnas.

Notícias do Norte — Internacional
Recebido

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Elvis Carvalho
Jornalista/Journalist
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