
O Polo Oncológico do Hospital Baptista de Sousa (HBS), em São Vicente, iniciou oficialmente os tratamentos de quimioterapia, permitindo que os doentes oncológicos da região de Barlavento passem a receber cuidados especializados mais próximos das suas residências, sem necessidade de deslocações frequentes à ilha de Santiago.
A informação foi avançada pelo ministro da Saúde, Lúcio Miranda Fernandes, durante a abertura oficial do serviço, que considerou a entrada em funcionamento do polo um marco importante para a descentralização dos cuidados oncológicos em Cabo Verde.
Segundo o governante, a operacionalização do serviço resulta de um trabalho conjunto entre médicos, enfermeiros e técnicos de saúde do Hospital Baptista de Sousa, profissionais do Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN) e uma equipa médica de Portugal, que tem prestado apoio técnico ao processo.
O ministro explicou que o início dos tratamentos foi precedido de uma preparação técnica, acompanhada por uma missão internacional, que decorre de 26 a 31 de outubro, envolvendo profissionais cabo-verdianos e portugueses. A missão tem como objetivo reforçar a formação dos médicos, enfermeiros e farmacêuticos, sobretudo nas áreas de preparação e administração segura dos medicamentos de quimioterapia.
Nesta primeira fase, o polo iniciou com o acompanhamento de três doentes com cancro da mama, uma das doenças oncológicas mais frequentes no país. A intenção, segundo Lúcio Miranda Fernandes, é alargar progressivamente o serviço a outras patologias, em função da capacidade instalada e dos recursos humanos disponíveis.
O ministro destacou ainda que a descentralização permitirá reduzir as evacuações inter-ilhas, mas também diminuir os custos económicos e o impacto emocional associados à deslocação dos doentes e das respetivas famílias para receber tratamento na cidade da Praia.
«A evacuação custa dinheiro, mas, sobretudo, tem um impacto emocional enorme nas pessoas que têm de sair da sua ilha e da sua localidade para receber tratamento», sublinhou.
O governante assegurou que os tratamentos disponibilizados em São Vicente terão a mesma qualidade dos realizados no Hospital Universitário Agostinho Neto, contando com a colaboração entre as equipas médicas das duas estruturas hospitalares e os especialistas portugueses.
A criação do Polo Oncológico enquadra-se no Projeto ONCO-CV, desenvolvido em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian e com a colaboração técnica do Instituto Português de Oncologia do Porto. O serviço foi equipado com meios específicos para a administração de quimioterapia, incluindo câmara isoladora, sistema de transferência de medicamentos e bombas infusoras.
Para Lúcio Miranda Fernandes, a abertura do polo deve ser acompanhada pelo reforço da capacidade de diagnóstico e pela aposta na deteção precoce do cancro, de modo a permitir que os doentes tenham acesso ao tratamento em fases menos avançadas da doença.
O ministro defendeu, por isso, a necessidade de aumentar os meios de rastreio e diagnóstico, considerando que a descentralização dos tratamentos deve ser acompanhada por uma melhoria da resposta em todo o território nacional.
Com o início da atividade do Polo Oncológico do Hospital Baptista de Sousa, o Ministério da Saúde pretende reforçar a assistência especializada à população de Barlavento, reduzir a necessidade de evacuações para Santiago e garantir maior proximidade no acompanhamento dos doentes oncológicos.
NN