Quimioterapia chega ao Hospital Baptista de Sousa após 64 transferências de doentes para a Praia em 2025

30/10/2026 14:46 - Modificado em 30/10/2026 14:48

O Pólo Oncológico do Hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, inicia a sua actividade com o tratamento de três doentes com cancro da mama, dando um primeiro passo para reduzir as deslocações de pacientes de Barlavento à Praia. Só em 2025, foram registadas 64 transferências de doentes oncológicos da região para o Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN).

Segundo uma nota do Ministério da Saúde citada pela Inforpress, a inauguração do serviço está prevista para sexta-feira, 30 de outubro, numa cerimónia presidida pelo ministro da Saúde, Lúcio Fernandes. A resposta será alargada progressivamente a outras patologias, em função da capacidade instalada.

O arranque acontece num país onde o Registo Oncológico contabilizou 1.476 novos casos de cancro entre 2022 e 2024. No último desses anos, o Ministério da Saúde registou 508 casos: 416 no HUAN e 92 no Hospital Baptista de Sousa. Estes números correspondem aos registos das unidades e não devem ser confundidos com a distribuição dos doentes pelas ilhas de residência.

Até agora, a concentração da quimioterapia no hospital da Praia obrigava os pacientes de Barlavento a deslocações frequentes, com encargos económicos, afastamento familiar e desgaste emocional. O novo serviço pretende aproximar o tratamento das populações e diminuir essa dependência.

A unidade é implementada no âmbito do projecto ONCO-CV, em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian e com colaboração técnica do Instituto Português de Oncologia do Porto. Dispõe de uma câmara isoladora para preparação de medicamentos, sistema de transferência de medicamentos e bombas infusoras.

A entrada em funcionamento é acompanhada por uma missão técnica de profissionais cabo-verdianos e portugueses, entre 26 e 31 de outubro, destinada a reforçar a formação de médicos, enfermeiros e farmacêuticos na preparação e administração segura de quimioterapia.

O reforço do tratamento no país também tem consequências nas evacuações para o estrangeiro. O Relatório Estatístico do Ministério da Saúde de 2022 contabiliza 494 doentes evacuados na especialidade de oncologia entre 2019 e 2022. A tabela não permite, por si só, determinar quantos foram tratados em Portugal.

A Fundação Gulbenkian refere uma redução significativa das evacuações para hospitais portugueses, associada ao aumento da capacidade de diagnóstico e tratamento em Cabo Verde. Segundo o Ministério da Saúde, as transferências oncológicas para o exterior concentram-se actualmente sobretudo na radioterapia. A quimioterapia em São Vicente responde, portanto, a uma parte das necessidades, mantendo-se outras dependências de cuidados fora do país.

O Pólo integra o Centro Ambulatorial do Hospital Baptista de Sousa, inaugurado em 9 de março deste ano. Importa distinguir as duas etapas: a inauguração da infraestrutura e o início efectivo dos tratamentos, agora anunciado.

Segundo os dados citados pela Inforpress, o Centro Ambulatorial tinha um custo inicial de 250 mil contos, financiado pelo Estado com recurso ao Fundo Kuwait. Em outubro de 2024, foram disponibilizados mais 241 mil contos para concluir as obras e introduzir alterações ao projecto. Estes montantes dizem respeito ao Centro Ambulatorial, não exclusivamente ao Pólo Oncológico.

Para os doentes, o alcance desta nova resposta será medido pela continuidade dos tratamentos, pela disponibilidade de medicamentos e pela redução das viagens. As primeiras três pacientes marcam o arranque. O desafio é assegurar que o serviço cresça e funcione com regularidade, para que receber quimioterapia mais perto de casa deixe de ser uma novidade e passe a fazer parte da resposta normal do sistema de saúde.

NN

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2026: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.