Alemanha pede à China que pressione Rússia para pôr fim à guerra

29/10/2026 08:55 - Modificado em 29/10/2026 08:55
© Christian Marquardt – Pool/Getty Images

O Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, apelou hoje à China para utilizar os seus laços estreitos com a Rússia para ajudar a pôr fim à guerra na Ucrânia e defendeu relações comerciais equilibradas entre Pequim e a Europa.

OPresidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, apelou hoje à China para utilizar os seus laços estreitos com a Rússia para ajudar a pôr fim à guerra na Ucrânia e defendeu relações comerciais equilibradas entre Pequim e a Europa.

“A China é membro permanente do Conselho de Segurança [da ONU] e mantém laços estreitos com a Rússia. Trabalhemos em conjunto para conseguir que a Rússia ponha fim aos seus ataques e inicie negociações sérias”, afirmou Steinmeier, num discurso na Universidade de Pequim.

O chefe de Estado alemão considerou que chegou o momento de acabar com o conflito, após quase cinco anos de guerra e centenas de milhares de mortos.

“Já é tempo. Depois de quase cinco anos de guerra, mais do que a Primeira Guerra Mundial, depois de centenas de milhares de mortos, depois de ataques diários ao aquecimento, à água e à eletricidade, precisamente quando o inverno se aproxima, as pessoas anseiam pelo fim do sofrimento”, declarou.

Steinmeier advertiu que a invasão russa ameaça a segurança de toda a Europa e sublinhou que os conflitos prolongados também prejudicam os interesses económicos chineses, nomeadamente devido às perturbações nas cadeias de abastecimento e no comércio internacional.

Desde o início da invasão russa, Pequim tem procurado manter uma posição de neutralidade, ao defender o respeito pela soberania dos Estados, mas também a necessidade de atender às “legítimas preocupações de segurança” da Rússia.

A China tem rejeitado repetidamente as acusações de que apoia militarmente Moscovo.

No plano económico, Steinmeier garantiu que a Europa não pretende desvincular-se da China, mas exigiu condições de concorrência “justas” e alertou para o risco de a crescente autonomia económica chinesa aumentar a dependência de outros países.

“Não podemos permitir que a Europa perca a sua base industrial”, afirmou, apontando as dificuldades de acesso ao mercado chinês, os subsídios estatais e as restrições à exportação de matérias-primas estratégicas.

As declarações surgem num contexto de crescentes tensões comerciais entre Pequim e Bruxelas, devido às práticas industriais chinesas e às medidas de defesa comercial adotadas pela União Europeia.

Steinmeier encontra-se na China para uma visita de Estado de seis dias, que deverá culminar na sexta-feira com reuniões com o Presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro, Li Qiang.

A deslocação coincide com uma digressão asiática do chanceler alemão, Friedrich Merz, por Singapura, Japão e Coreia do Sul, destinada a diversificar as parcerias económicas e de segurança de Berlim.

Lusa

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