
Luiz Inácio Lula da Silva venceu este domingo, 25 de outubro, a segunda volta das eleições presidenciais brasileiras, conquistando um quarto mandato. Para Cabo Verde, o resultado favorece a continuidade da cooperação bilateral, embora a proximidade política, por si só, não garanta mais investimentos ou benefícios imediatos.
Com 99,77% das urnas apuradas, Lula obtinha 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% de Flávio Bolsonaro. Segundo a Folha de S.Paulo, o Tribunal Superior Eleitoral confirmou a vitória às 21h10, hora de Brasília, quando o adversário já não podia alcançar o Presidente. Lula inverteu, assim, a desvantagem da primeira volta.
O novo mandato começa em 5 de janeiro de 2027, data introduzida pela alteração constitucional que passa a aplicar-se aos eleitos em 2026. Lula tem atualmente 80 anos e completa 81 no dia 27 de outubro.
Para Cabo Verde, a eleição brasileira tem interesse concreto. A cooperação técnica e a formação de quadros constituem pilares da relação entre os dois países, abrangendo áreas como educação, saúde, agricultura, habitação, regulação e formação marítima e militar. São relações institucionais que ultrapassam os mandatos presidenciais.
Em fevereiro deste ano, os dois governos assinaram seis instrumentos de cooperação, incluindo acordos sobre facilitação de investimentos, segurança social e reforço da capacidade reguladora da ERIS, além de um Programa Integrado de Cooperação. A continuidade governativa brasileira pode facilitar o acompanhamento desta agenda, embora a assinatura de acordos não equivalha à sua plena aplicação.
Seria indiferente para Cabo Verde vencer Lula ou Flávio Bolsonaro?
A diferença está, sobretudo, na prioridade política atribuída à relação. Lula assumiu expressamente a aproximação a África, com particular atenção aos países africanos de língua portuguesa, como orientação da sua política externa. Essa posição oferece uma base para esperar continuidade do diálogo com a Praia. Trata-se, porém, de uma perspetiva política, não de uma garantia de novos financiamentos.
Uma vitória de Flávio Bolsonaro também não permitiria concluir, automaticamente, que haveria rutura ou cancelamento da cooperação. Sem compromissos específicos verificados sobre Cabo Verde, seria especulativo antecipar cortes ou atribuir-lhe as mesmas opções do governo do pai.
Para o arquipélago, o essencial será transformar a relação diplomática em resultados: oportunidades de formação, projetos executados, investimento e aplicação dos instrumentos de proteção social. A reeleição de Lula favorece a previsibilidade dessa relação; a dimensão dos benefícios dependerá das prioridades e dos recursos brasileiros, mas também da capacidade cabo-verdiana de apresentar projetos e acompanhar a sua concretização.