Paulo Veiga promete abrir o MpD a novas lideranças e anuncia oposição “responsável e exigente”

11/10/2026 22:07 - Modificado em 11/10/2026 22:08
Paulo Veiga – Presidente do MpD

O presidente do MpD, Paulo Veiga, encerrou a XIV Convenção Nacional do partido prometendo reforçar a democracia interna, devolver poder às estruturas concelhias, valorizar os militantes e abrir espaço a novas lideranças.

A convenção, que decorreu de 09 a 11 de Outubro, na Cidade da Praia, oficializou Paulo Veiga como oitavo presidente do MpD e aprovou novos órgãos nacionais, incluindo a Comissão Política Nacional, composta por cerca de 20 membros.

No discurso de encerramento, Paulo Veiga afirmou que a renovação do MpD passa por uma organização “mais forte, mais participativa” e capaz de aproveitar o talento existente dentro do partido.

Nesse quadro, anunciou que a Comissão Política Nacional vai criar gabinetes de apoio, gabinetes de estrutura, a Escola de Formação Política José Filomeno Monteiro e funções de secretários executivos adjuntos.

Segundo o líder democrata, o objectivo é alargar os espaços de participação interna e construir um MpD onde haja lugar para todos os que queiram contribuir.

“Hoje não estamos a encerrar a nossa convenção. Estamos a começar um novo ciclo para Cabo Verde”, afirmou Paulo Veiga, defendendo um partido mais próximo das comunidades e mais focado na apresentação de soluções para os problemas nacionais.

Além da reorganização interna, o novo presidente do MpD deixou também sinais sobre a linha de oposição que pretende seguir. Paulo Veiga acusou o Governo de revelar, nas primeiras decisões, “uma distância preocupante” entre a promessa eleitoral de um “Cabo Verde para todos” e as prioridades das políticas públicas.

O dirigente apontou o aumento dos combustíveis e as diretrizes do Orçamento do Estado para 2027 como matérias que exigem explicações do Executivo.

Em relação aos combustíveis, reconheceu a medida anunciada para limitar o aumento do gás butano, mas considerou insuficiente a resposta face ao impacto do custo de vida nas famílias. Paulo Veiga defendeu apoios às famílias vulneráveis, aos transportes públicos e medidas de proteção dos bens essenciais.

Sobre as perspetivas orçamentais, alertou para a subida das despesas com pessoal, de 25,4 mil milhões de escudos, em 2025, para 36,5 mil milhões em 2027, ao mesmo tempo que o investimento público deverá baixar de 13,2 para 8,3 mil milhões de escudos.

Para Paulo Veiga, estes dados levantam questões sobre a eficiência do Estado e sobre a capacidade do país financiar áreas estratégicas, como a sustentabilidade energética, a transformação digital e a agricultura.

Apesar das críticas, o líder do MpD afirmou que o partido não deseja o fracasso do Governo, por entender que as consequências seriam suportadas pelos cidadãos.

Paulo Veiga prometeu, por isso, uma oposição responsável, mas exigente, com fiscalização das decisões do Executivo, cobrança de transparência na utilização dos recursos públicos e apoio às medidas que sirvam o interesse nacional.

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