
O presidente do MpD, Paulo Veiga, considera urgente a adopção de medidas para aliviar o impacto do aumento dos combustíveis no orçamento das famílias cabo-verdianas.
Numa declaração divulgada nas redes sociais do MpD, Paulo Veiga afirma que a subida dos combustíveis já está a pesar no dia a dia das famílias e manifesta a preocupação do partido com os efeitos do novo aumento.
“O aumento dos combustíveis está a pesar no dia a dia das famílias cabo-verdianas. O MpD está preocupado e acredita que é urgente encontrar medidas que aliviem este impacto”, lê-se na mensagem que acompanha o vídeo publicado pelo partido.
A intervenção surge depois de a Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME) ter actualizado os preços para Outubro, com um aumento médio de 10,70%.
A gasolina passou a ser vendida a 197,20 escudos por litro, enquanto o gasóleo normal foi fixado em 190,30 escudos. O gasóleo para electricidade passou para 175,80 escudos, o gasóleo marinha para 153,30 escudos e o petróleo para 216,90 escudos por litro.
Na prática, a gasolina aumentou 21,80 escudos por litro em relação ao preço de Setembro. No gasóleo normal, a subida foi de 20,90 escudos por litro.
MpD já tinha pedido intervenção do Governo
A posição agora assumida por Paulo Veiga surge na sequência de uma exigência anterior do Grupo Parlamentar do MpD, que, em Setembro, pediu ao Governo medidas para limitar os efeitos dos aumentos sobre as famílias e as empresas.
Na altura, o líder parlamentar do MpD, Luís Carlos Silva, afirmou que o Governo não podia limitar-se a acompanhar a evolução dos mercados internacionais e transferir mensalmente toda a factura para os consumidores.
O MpD defendeu que os aumentos têm efeitos para além do abastecimento automóvel, atingindo a produção de electricidade, a distribuição de água, a pesca, a agricultura, a indústria, o transporte de mercadorias e os preços dos bens essenciais.
O partido citou ainda a existência, no Orçamento Rectificativo de 2026, de um pacote de cerca de 1.700 milhões de escudos destinado ao apoio aos combustíveis.
Governo promete rever mecanismo de estabilização
O Governo reconheceu entretanto que o aumento de Outubro representa um peso adicional para as famílias e para vários sectores da economia.
Em comunicado, anunciou que está a trabalhar no aperfeiçoamento do mecanismo legal de estabilização dos preços, de modo a que este passe a considerar não apenas a variação entre duas actualizações mensais, mas também o impacto acumulado de aumentos sucessivos.
A intervenção imediata do Executivo ficou, contudo, limitada ao gás butano. O Governo absorveu 70% do diferencial do aumento potencial, fazendo com que o preço suportado pelos consumidores subisse 5,73%, em vez dos 19,18% previstos pelo mecanismo ordinário.
Para os restantes combustíveis, os novos preços chegaram integralmente ao consumidor.
A declaração de Paulo Veiga recoloca, assim, a pressão política sobre o Governo para que transforme o anúncio de revisão do mecanismo em medidas concretas, com prazos, financiamento e efeitos capazes de proteger as famílias e a economia dos aumentos acumulados.
NN