ONU “profundamente alarmada” com violência sexual na guerra da Ucrânia

18/09/2026 13:04 - Modificado em 18/09/2026 13:04

Mais de mil casos de violência sexual foram documentados desde o início da invasão russa da Ucrânia, quase 90% atribuídos ao lado russo, anunciou hoje o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

© Jung Yeon-je / AFP via Getty Images

“Estou profundamente alarmado com a prevalência destes atos hediondos (…) e temo que continuem (…) no contexto da violência incessante a que assistimos todos os dias na Ucrânia”, afirmou em comunicado o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk.

Um novo relatório do organismo documentou 1.004 casos de violência sexual entre 24 de fevereiro de 2022, data do início da invasão russa em larga escala, e o final de julho deste ano.

A investigação baseou-se em entrevistas confidenciais a centenas de vítimas de atos cometidos pelos dois lados, além de documentos judiciais e registos oficiais.

O número conhecido “representa apenas uma fração da realidade”, denunciou em Genebra Danielle Bell, chefe da Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia.

Os investigadores conseguiram entrevistar apenas cerca de 10% dos prisioneiros libertados por ambos os lados e não tiveram acesso aos territórios ucranianos atualmente controlados pela Rússia, explicou.

Do total de casos documentados, 89% foram atribuídos ao lado russo, incluindo membros das Forças Armadas, do sistema prisional e dos serviços de segurança, e 11% ao lado ucraniano.

Segundo o Alto-Comissariado, estes atos “inserem-se num padrão chocante de tortura, intimidação e coação” registado desde o início da guerra.

A maioria das vítimas são homens, sobretudo em locais de detenção, embora mulheres e crianças tenham também sido alvo de violência sexual, principalmente nos territórios ucranianos ocupados.

“As violações cometidas incluem violações coletivas, violações, mutilações genitais, choques elétricos e golpes nos órgãos genitais, bem como outros atos degradantes de natureza sexual”, detalhou o organismo das Nações Unidas.

A vítima de violação mais nova documentada tinha 04 anos e a mais velha 82 anos, sendo ambos os casos atribuídos pelas Nações Unidas às autoridades russas.

Vários homens relataram ter sofrido choques elétricos nos órgãos genitais através e um prisioneiro de guerra ucraniano afirmou ter sido violado com um bastão e outro relatou ter sido submetido a penetração forçada com chaves de uma cela, segundo o relatório.

Uma mulher afirmou que um soldado russo se instalou na sua casa, na região de Zaporijia, e a violou várias vezes por semana durante um mês, prometendo em troca garantir um melhor tratamento ao marido, que se encontrava detido.

Entre os casos atribuídos às autoridades ucranianas contra prisioneiros de guerra russos ou cidadãos de países terceiros, cerca de metade consistiu em ameaças de violência sexual.

Os restantes incluíram casos de nudez forçada, choques elétricos e golpes nos órgãos genitais, tratamentos sexualmente degradantes, duas agressões sexuais e duas tentativas de violação.

“Tanto a Rússia como a Ucrânia devem investigar todas as alegações credíveis de violência sexual — de forma rápida, minuciosa e imparcial — e garantir que os responsáveis sejam plenamente levados à justiça”, defendeu Turk.

Lusa

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