A comunidade piscatória de Calhau, em São Vicente, passa a contar com uma Casa de Pescadores, um espaço destinado a promover a organização, a formação e o desenvolvimento de actividades comunitárias, com o objectivo de conferir maior dignidade aos pescadores e peixeiras.

Durante a entrega da infraestrutura os pescadores de Calhau, através do vice-presidente da Associação dos Pescadores, Osvaldo Lopes, apresentou um conjunto de preocupações que afectam directamente a actividade piscatória. Entre elas está também a necessidade de um sistema de arrasto para facilitar a colocação e a retirada das embarcações do mar, sobretudo num canal considerado difícil e perigoso em períodos de agitação marítima.
Entre os principais problemas está a exposição do gelo à chuva, que provoca perdas significativas e dificulta a conservação do pescado. O responsável defendeu a necessidade de melhorar as condições de armazenamento e de instalar um guincho que permita movimentar as embarcações com maior facilidade, reduzindo o esforço físico exigido aos pescadores.
Osvaldo Lopes chamou ainda a atenção para as dificuldades no pagamento dos motores adquiridos pelos pescadores, sobretudo após os períodos de tempestade e de mau tempo, que condicionam a saída para o mar e reduzem os rendimentos.
Segundo o responsável, o período de carência concedido para o pagamento dos motores coincidiu com meses de condições meteorológicas adversas, dificultando a recuperação financeira dos pescadores. Perante esta situação, alguns profissionais terão optado por trabalhar na construção civil, procurando garantir rendimentos para cumprir as suas obrigações.
O vice-presidente da associação defendeu, por isso, a necessidade de o Governo avaliar medidas de apoio, incluindo possíveis soluções para os pagamentos dos motores, tendo em conta os períodos em que a actividade piscatória fica condicionada.
As condições de navegabilidade constituem igualmente uma preocupação para os pescadores de Calhau. O responsável associativo referiu as dificuldades provocadas pelo vento forte, pela agitação marítima e pelas características do canal de acesso ao mar, que podem impedir a saída das embarcações.
O pescador relatou ainda experiências de pesca realizadas em grupo, nas quais os rendimentos obtidos permitiram cobrir despesas com combustível e outros custos, mas sem garantir um retorno financeiro adequado para o proprietário da embarcação.
Para além das questões relacionadas com a actividade piscatória, o responsável destacou a importância de assegurar rendimentos estáveis para os pescadores, tendo em conta as despesas familiares, incluindo os custos com a educação dos filhos.
Os pescadores de Calhau, em São Vicente, enfrentam dificuldades relacionadas com as condições de segurança e conservação do pescado, os efeitos do mau tempo e o pagamento dos motores adquiridos através de programas de apoio ao sector.
NN