
O Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (CNAD) anunciou a abertura das candidaturas para a 11.ª edição da Feira do Artesanato e Design de Cabo Verde (URDI), que decorre de 25 a 29 de Novembro, em São Vicente, sob o tema “50 anos de memória, criação e resistência”.
A edição deste ano assinala os 50 anos da fundação da Cooperativa Resistência, criada em 1976 e considerada uma referência na história cultural de Cabo Verde.
Segundo o director do CNAD, Artur Marçal, a escolha do tema pretende valorizar o percurso da Cooperativa Resistência e o seu contributo para a construção da identidade cultural e artística do país.
“A Cooperativa Resistência, sem sombra de dúvida, é o embrião daquilo que o CNAD é hoje”, destacou Artur Marçal, sublinhando o papel da instituição no resgate, investigação e salvaguarda das práticas artesanais e da cultura popular cabo-verdiana.
Para o responsável, a Cooperativa teve também um papel estruturante na definição de uma identidade nacional e no desenvolvimento das artes visuais em Cabo Verde. Entre os seus principais contributos está uma abordagem pedagógica inspirada na Bauhaus, que procurava aproximar o saber-fazer dos mestres tradicionais das linguagens artísticas contemporâneas.
Cinco décadas depois da sua criação, o CNAD pretende igualmente olhar para a continuidade desse pensamento e para a forma como as novas gerações podem reinterpretá-lo e projectá-lo no futuro.
Nesta edição, a URDI terá como municípios convidados Santa Catarina, na ilha de Santiago, e Porto Novo, em Santo Antão. A iniciativa pretende trazer para São Vicente uma mostra do trabalho desenvolvido nestes dois municípios no domínio da cultura, do artesanato e das artes, contribuindo para reforçar a programação cultural da feira.
Entre os destaques da programação está uma residência criativa, com início previsto para arrancar a 19 de Outubro até 25 de novembro. A proposta passa por convidar mestres artesãos que trabalham com materiais tradicionais e explorar novas possibilidades criativas a partir da pedra, do barro e do coco, procurando aproximar técnicas e saberes tradicionais de uma linguagem mais contemporânea.
A programação inclui ainda exposições, apresentações e momentos de reflexão sobre o presente e o futuro das artes, do artesanato e da cultura cabo-verdiana.
O CNAD prevê, nomeadamente, a apresentação da exposição “Narrativas do Invisível”, de Djumanga Gongalves e João Ramos, bem como uma exposição individual de Marcelino Santos.
“A exposição de Marcelino Santos surge no âmbito do trabalho que o CNAD tem desenvolvido para valorizar a obra dos pioneiros e de figuras que contribuíram para a construção do pensamento artístico e cultural cabo-verdiano”, explicou Marçal, que avançou ainda que o catálogo da exposição será também apresentado durante a URDI.
A 11.ª edição da URDI contará ainda com quatro painéis de debate, nas grandes conversas destinados a discutir os principais desafios e oportunidades para o artesanato, a arte e a cultura em Cabo Verde. “A URDI é, acima de tudo, um espaço de debate, de ideias e de propostas sobre aquilo que são as problemáticas, mas também sobre aquilo que é o futuro da arte e da cultura em Cabo Verde”, afirmou.
A programação oficial da feira será apresentada ao longo das próximas semanas.
NN