
Os sobreviventes do acidente de 5 de Setembro na ilha do Fogo apresentam uma evolução clínica positiva, incluindo o paciente que sofreu um traumatismo crânio-encefálico grave e permanece internado no Hospital Universitário Agostinho Neto, na Praia. O ferido já não necessita de medicamentos de suporte à vida, embora continue sedado e sob acompanhamento médico.
A informação foi avançada pelo ministro da Saúde e porta-voz do Gabinete de Crise, Lúcio Miranda, no mais recente ponto de situação sobre os feridos na tragédia que provocou 25 mortos e 13 feridos.
O estado do paciente com traumatismo crânio-encefálico tem concentrado particular atenção das equipas médicas devido à gravidade das lesões.
Apesar de continuar sedado, a evolução registada é considerada positiva, tendo deixado de necessitar de medicamentos de suporte à vida e apresentado sinais de recuperação.
A situação representa uma evolução importante em relação aos primeiros dias após o acidente, quando este sobrevivente era apontado como aquele que inspirava maiores cuidados.
Feridos continuam acompanhados na Praia e no Fogo
Outros sobreviventes foram transferidos do Hospital Regional São Francisco de Assis para o Hospital Universitário Agostinho Neto para acompanhamento especializado e intervenções cirúrgicas.
As autoridades tinham confirmado, até 10 de Setembro, três transferências efectivamente realizadas para a Praia e anunciado uma quarta, de uma criança que necessita de cirurgia devido a uma fractura numa perna.
No Fogo, os restantes sobreviventes continuam sob acompanhamento das equipas médicas, enquanto uma criança de cinco anos já recebeu alta hospitalar.
O acompanhamento não se limita aos ferimentos físicos. Psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais continuam mobilizados para apoiar sobreviventes, familiares e as comunidades mais atingidas pela tragédia.
25 mortos e 13 feridos
O balanço oficial permanece em 25 mortos e 13 feridos.
As autoridades corrigiram esta semana o número inicialmente divulgado, depois de confirmarem que uma mulher grávida contabilizada entre os feridos não seguia no autocarro, mas numa outra viatura que fazia o mesmo percurso.
Assim, estavam 38 pessoas no autocarro: 25 morreram e 13 sobreviveram.
Vinte das 25 vítimas mortais morreram no local do acidente e cinco posteriormente no Hospital Regional São Francisco de Assis.
A maioria dos passageiros era constituída por crianças e adolescentes e 17 das vítimas mortais eram estudantes.
Causas continuam por esclarecer
Uma semana depois da tragédia, continua sem existir uma conclusão oficial sobre a causa do acidente.
O Governo decidiu constituir uma equipa multidisciplinar para investigar as circunstâncias em que o autocarro saiu da estrada e caiu numa ravina com mais de 30 metros, na zona de Campanas.
O veículo deverá ser submetido a perícias antes de qualquer operação que possa alterar o seu estado, uma vez que poderá conter elementos fundamentais para esclarecer o que aconteceu.
Enquanto se aguarda pelas respostas da investigação, a notícia positiva vem dos hospitais: os sobreviventes estão a evoluir favoravelmente e mesmo o ferido que inspira maiores cuidados apresenta sinais de recuperação.
NN