
O sobrevivente que inspirava maiores cuidados após o acidente rodoviário de 5 de Setembro, na ilha do Fogo, apresenta uma evolução clínica considerada positiva. O paciente já não necessita de medicamentos de suporte à vida e começou a responder à redução da sedação, enquanto o número de feridos que permanecem internados também diminuiu.
Segundo informações avançadas pelo ministro da Saúde e porta-voz do Gabinete de Crise, Lúcio Miranda, o ferido, internado no Hospital Universitário Agostinho Neto, na Praia, sofreu um traumatismo crânio-encefálico grave, mas a evolução registada nas últimas horas traz sinais encorajadores.
Com a redução da sedação, o paciente já respondeu através de movimentos dos membros superiores. Apesar da melhoria, a equipa médica considera ainda necessário aguardar alguns dias para avaliar com maior segurança a existência de eventuais sequelas neurológicas e capacidades como falar, ouvir e compreender.
Também no Hospital Regional São Francisco de Assis, no Fogo, a evolução dos sobreviventes tem sido favorável.
De acordo com a atualização do Gabinete de Crise, apenas cinco pessoas permanecem internadas naquela unidade hospitalar. Três outros sobreviventes já tiveram alta clínica e encontram-se num espaço anexo ao hospital, acompanhados pelos familiares e por equipas de enfermagem e psicologia. Uma quarta criança poderá igualmente receber alta.
Entre os casos que continuam no hospital do Fogo está um paciente que também sofreu traumatismo crânio-encefálico e cuja recuperação apresenta sinais positivos. A criança acordou, conversou, tomou banho e pequeno-almoço e encontra-se comunicativa.
Na Praia permanecem três pacientes internados, dois dos quais aguardam intervenções cirúrgicas.
Entretanto, a transferência para a capital de uma quarta criança, prevista anteriormente para realização de uma cirurgia a uma fractura na perna, não se concretizou devido a dificuldades de transporte, tendo sido remarcada para esta sexta-feira.
Balanço mantém-se em 25 mortos e 13 feridos
O balanço oficial da tragédia permanece em 25 mortos e 13 feridos, num total de 38 ocupantes do autocarro.
O acidente ocorreu no dia 5 de Setembro, quando o autocarro que transportava passageiros provenientes de Chã das Caldeiras se despistou e caiu numa ravina na estrada em direcção a Campanas de Cima.
As autoridades continuam a investigar as circunstâncias da tragédia. Até ao momento, não foi oficialmente determinada a causa do acidente, estando prevista uma investigação técnica multidisciplinar para apurar o que provocou o despiste.
A evolução clínica dos sobreviventes passa agora a constituir uma das principais notas positivas quase uma semana depois de uma tragédia que provocou 25 mortos e deixou várias comunidades da ilha do Fogo de luto.