
“Uma voz disse-me para sair.” É um dos relatos mais insólitos surgidos entre os sobreviventes do acidente de 5 de Setembro, em Campanas, na ilha do Fogo, que provocou 25 mortos.
A história é de Marly, uma menina de seis anos, conhecida por “Bebé”, que sobreviveu à queda do autocarro numa ravina quando a viatura fazia o trajecto entre Chã das Caldeiras e Campanas.
Segundo o relato da família, divulgado pela agência Lusa, a criança contou que, depois do acidente, ouviu uma voz que lhe disse para sair do autocarro.
Marly terá então conseguido abandonar a viatura e afastar-se, ficando sentada numa pedra, no fundo da ribeira, onde aguardou até ser encontrada.
A tia, Tatiana de Pina, contou à Lusa que a menina escapou praticamente ilesa de uma tragédia que matou 25 pessoas. Não sofreu fracturas e apresentava apenas um pequeno ferimento na testa.
O relato da “voz” que a criança diz ter ouvido acrescenta um elemento particularmente insólito à história da sua sobrevivência. Não cabe, naturalmente, estabelecer qualquer explicação para aquilo que uma criança de seis anos diz ter vivido num momento de enorme violência e perturbação. O facto jornalisticamente verificável é o relato da criança, transmitido pela família e recolhido pela Lusa.
Marly é uma das 13 pessoas que sobreviveram ao acidente. O balanço oficial foi entretanto corrigido para 38 ocupantes do autocarro: 25 mortos e 13 sobreviventes.
Quase uma semana depois da tragédia, continuam por esclarecer oficialmente as causas do despiste. Uma equipa multidisciplinar deverá proceder à investigação técnica do acidente.
Entre números, perícias e investigações, fica agora também a história de uma menina de seis anos que saiu praticamente ilesa de uma ravina onde morreram 25 pessoas — e que diz simplesmente que saiu do autocarro porque “uma voz” lhe disse para sair.