Fogo: Governo cria equipa multidisciplinar para investigar causas do acidente que matou 25 pessoas

10/09/2026 22:55 - Modificado em 10/09/2026 22:57
Imagens acidente 05 setembro na ilha do Fogo

O Governo decidiu criar uma equipa multidisciplinar para investigar as causas do acidente de viação ocorrido no passado dia 5 de Setembro, na zona de Campanas, ilha do Fogo, que provocou 25 mortos e 13 feridos. A equipa deverá realizar uma inspecção exaustiva ao local e produzir um relatório sobre as possíveis causas da tragédia. O autocarro não será retirado da ravina antes da realização das perícias.

A decisão marca uma nova etapa no esclarecimento daquele que é um dos mais graves acidentes rodoviários ocorridos em Cabo Verde.

Segundo informações divulgadas pelo Gabinete de Crise, a equipa multidisciplinar integra especialistas de diferentes instituições com competências nas áreas da investigação, segurança e transportes rodoviários.

Entre as entidades envolvidas encontram-se a Polícia Judiciária, Polícia Nacional, Direcção-Geral dos Transportes Rodoviários, Forças Armadas e Estradas de Cabo Verde.

Os técnicos deverão deslocar-se ao Fogo para realizar uma análise detalhada do local do acidente e recolher os elementos necessários à elaboração do relatório.

Autoridades já têm informações preliminares

O ministro da Saúde e porta-voz do Gabinete de Crise, Lúcio Miranda, revelou que as autoridades já dispõem de informações preliminares relacionadas com o acidente, mas optaram por não as tornar públicas antes da conclusão dos trabalhos técnicos.

A posição assumida pelo Governo é evitar a divulgação de informações que possam posteriormente revelar-se incorrectas.

Assim, apesar das diferentes versões que têm circulado desde sábado sobre o que poderá ter provocado o acidente, continua sem existir uma causa oficialmente determinada.

Será o trabalho da equipa multidisciplinar que deverá procurar estabelecer, com base nos elementos técnicos e periciais, o que aconteceu antes de o autocarro sair da estrada e cair na ravina.

Autocarro será primeiro periciado

A preservação do autocarro passa a assumir particular importância na investigação.

Segundo as autoridades, a viatura não será retirada da ravina antes de ser inspeccionada pelos especialistas.

A operação de remoção tem-se revelado tecnicamente complexa devido às características do terreno e às dificuldades de fazer chegar ao local equipamentos pesados.

Depois das perícias, o autocarro poderá ser retirado inteiro. Caso isso não seja possível, admite-se que tenha de ser cortado no próprio local e posteriormente remontado, de forma a permitir a continuação dos trabalhos técnicos.

A decisão procura garantir que a necessidade de retirar a viatura não comprometa elementos que possam ser importantes para determinar as causas do acidente.

Quarto ferido transferido para a Praia

Há também uma nova actualização sobre os sobreviventes.

Uma criança deverá ser transferida do Fogo para o Hospital Universitário Agostinho Neto, na Praia, para tratamento cirúrgico de uma fractura numa perna.

Trata-se da quarta transferência de um sobrevivente para a capital desde a tragédia.

O balanço oficial, entretanto corrigido pelas autoridades esta semana, mantém-se em 25 mortos e 13 feridos. Inicialmente tinham sido contabilizados 14 feridos e 39 ocupantes, mas posteriormente ficou esclarecido que uma mulher grávida incluída nas primeiras contas seguia noutra viatura.

Eram, portanto, 38 pessoas no autocarro: 25 morreram e 13 sobreviveram.

Vinte das 25 vítimas mortais morreram no próprio local do acidente.

Cinco dias depois da tragédia, permanece por responder a questão central: o que levou o autocarro a sair da estrada e precipitar-se na ravina?

A resposta deverá agora sair não das versões ou especulações que circulam, mas da investigação técnica que acaba de ser determinada.

NN

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