
O Governo decidiu criar uma equipa multidisciplinar para investigar as causas do acidente de viação ocorrido no passado dia 5 de Setembro, na zona de Campanas, ilha do Fogo, que provocou 25 mortos e 13 feridos. A equipa deverá realizar uma inspecção exaustiva ao local e produzir um relatório sobre as possíveis causas da tragédia. O autocarro não será retirado da ravina antes da realização das perícias.
A decisão marca uma nova etapa no esclarecimento daquele que é um dos mais graves acidentes rodoviários ocorridos em Cabo Verde.
Segundo informações divulgadas pelo Gabinete de Crise, a equipa multidisciplinar integra especialistas de diferentes instituições com competências nas áreas da investigação, segurança e transportes rodoviários.
Entre as entidades envolvidas encontram-se a Polícia Judiciária, Polícia Nacional, Direcção-Geral dos Transportes Rodoviários, Forças Armadas e Estradas de Cabo Verde.
Os técnicos deverão deslocar-se ao Fogo para realizar uma análise detalhada do local do acidente e recolher os elementos necessários à elaboração do relatório.
Autoridades já têm informações preliminares
O ministro da Saúde e porta-voz do Gabinete de Crise, Lúcio Miranda, revelou que as autoridades já dispõem de informações preliminares relacionadas com o acidente, mas optaram por não as tornar públicas antes da conclusão dos trabalhos técnicos.
A posição assumida pelo Governo é evitar a divulgação de informações que possam posteriormente revelar-se incorrectas.
Assim, apesar das diferentes versões que têm circulado desde sábado sobre o que poderá ter provocado o acidente, continua sem existir uma causa oficialmente determinada.
Será o trabalho da equipa multidisciplinar que deverá procurar estabelecer, com base nos elementos técnicos e periciais, o que aconteceu antes de o autocarro sair da estrada e cair na ravina.
Autocarro será primeiro periciado
A preservação do autocarro passa a assumir particular importância na investigação.
Segundo as autoridades, a viatura não será retirada da ravina antes de ser inspeccionada pelos especialistas.
A operação de remoção tem-se revelado tecnicamente complexa devido às características do terreno e às dificuldades de fazer chegar ao local equipamentos pesados.
Depois das perícias, o autocarro poderá ser retirado inteiro. Caso isso não seja possível, admite-se que tenha de ser cortado no próprio local e posteriormente remontado, de forma a permitir a continuação dos trabalhos técnicos.
A decisão procura garantir que a necessidade de retirar a viatura não comprometa elementos que possam ser importantes para determinar as causas do acidente.
Quarto ferido transferido para a Praia
Há também uma nova actualização sobre os sobreviventes.
Uma criança deverá ser transferida do Fogo para o Hospital Universitário Agostinho Neto, na Praia, para tratamento cirúrgico de uma fractura numa perna.
Trata-se da quarta transferência de um sobrevivente para a capital desde a tragédia.
O balanço oficial, entretanto corrigido pelas autoridades esta semana, mantém-se em 25 mortos e 13 feridos. Inicialmente tinham sido contabilizados 14 feridos e 39 ocupantes, mas posteriormente ficou esclarecido que uma mulher grávida incluída nas primeiras contas seguia noutra viatura.
Eram, portanto, 38 pessoas no autocarro: 25 morreram e 13 sobreviveram.
Vinte das 25 vítimas mortais morreram no próprio local do acidente.
Cinco dias depois da tragédia, permanece por responder a questão central: o que levou o autocarro a sair da estrada e precipitar-se na ravina?
A resposta deverá agora sair não das versões ou especulações que circulam, mas da investigação técnica que acaba de ser determinada.
NN