
Vinte das 25 vítimas mortais do acidente ocorrido no passado dia 5 de Setembro, na ilha do Fogo, morreram no próprio local da tragédia. O dado, que tinha sido avançado ao Notícias do Norte por uma fonte idónea na ilha, é agora confirmado por informações das autoridades civis e sanitárias divulgadas pela Inforpress.
A confirmação permite conhecer com maior precisão a dimensão da tragédia nos primeiros momentos após o autocarro ter saído da estrada e caído numa ravina na zona de Campanas.
Das 25 pessoas que perderam a vida, 20 morreram no local do acidente, enquanto as restantes vítimas mortais chegaram a ser transportadas para o Hospital Regional São Francisco de Assis, em São Filipe.
O director clínico daquela unidade hospitalar, Dionísio Semedo, confirmou que as vítimas que acabaram por morrer no Serviço de Urgência apresentavam traumatismos cranianos.
Segundo informações divulgadas pela Inforpress, 19 crianças e adolescentes deram inicialmente entrada no hospital após o acidente.
NN tinha recolhido informação no Fogo
O Notícias do Norte tinha apurado junto de uma fonte idónea na ilha que 20 das 25 vítimas tinham perdido a vida ainda no local da tragédia.
A mesma fonte indicou ao NN que a distância entre a zona do acidente e o hospital é de aproximadamente 25 quilómetros.
A confirmação pelas autoridades de que 20 pessoas morreram no local é particularmente relevante para a análise das operações de socorro, uma vez que demonstra que 80 por cento das vítimas mortais perderam a vida antes de qualquer eventual transporte para o hospital.
O dado não permite, por si só, determinar se todas as 20 vítimas tiveram morte imediata. Essa distinção dependerá de informação médica e pericial que não foi, até agora, tornada pública.
Populares foram os primeiros a socorrer as vítimas
A confirmação surge numa altura em que começam também a ser conhecidos mais detalhes sobre os primeiros momentos da operação de socorro.
José Alves, morador de Campanas de Cima e um dos voluntários que participou no resgate, contou à Inforpress que, quando chegou à ravina, populares já se encontravam no local e cerca de quatro crianças tinham sido retiradas.
Os moradores começaram a retirar vítimas antes da chegada dos meios de socorro, sem equipamentos apropriados e perante as enormes dificuldades provocadas pelas características do terreno.
Posteriormente chegaram as autoridades e equipamentos, incluindo macas, que permitiram organizar a retirada das vítimas da ravina.
Causas continuam por determinar
Apesar dos novos elementos que vão sendo conhecidos sobre a tragédia, a causa do acidente continua sem determinação oficial.
As autoridades pretendem preservar o autocarro para efeitos de investigação e estão a avaliar a sua retirada do local.
Paralelamente, uma equipa das Estradas de Cabo Verde deslocou-se ao Fogo para avaliar as condições de segurança da estrada Chã das Caldeiras–Campanas. Entre as medidas em análise estão a colocação de protecções laterais e eventuais restrições à circulação de veículos pesados naquela via.
O balanço oficial da tragédia permanece em 25 mortos e 14 feridos.
A confirmação de que 20 pessoas morreram no próprio local ajuda agora a reconstruir, com dados oficiais, a dimensão do que aconteceu naquela ravina de Campanas, enquanto se aguarda pela investigação que deverá responder à questão que continua em aberto: o que provocou o acidente?
NN