Fogo: Populares foram os primeiros a chegar às vítimas e iniciaram resgate sem meios adequados

9/09/2026 00:13 - Modificado em 9/09/2026 00:13

Moradores de Campanas de Cima foram os primeiros a chegar ao local do trágico acidente de 5 de Setembro e começaram a retirar as vítimas da ravina antes da chegada dos meios de socorro. Um dos voluntários que participou na operação relata que pelo menos quatro crianças já tinham sido retiradas quando chegou ao local. Informações recolhidas pelo NN junto de uma fonte idónea no Fogo indicam ainda que 20 das 25 vítimas mortais terão morrido no próprio local do acidente.

O testemunho de José Alves, morador de Campanas de Cima e um dos voluntários que participou directamente no resgate, ajuda a reconstruir os primeiros e dramáticos momentos que se seguiram à queda do autocarro numa ravina.

Segundo declarações divulgadas pela Inforpress, quando José Alves chegou ao local, populares já se encontravam na ravina e cerca de quatro crianças tinham sido retiradas.

Perante a dimensão da tragédia, os moradores não esperaram. Desceram até à viatura e começaram a retirar feridos e vítimas, numa operação improvisada, realizada com os meios disponíveis naquele momento.

Só posteriormente chegaram as autoridades e os meios de socorro, nomeadamente macas, que permitiram organizar melhor a retirada das vítimas.

20 vítimas terão morrido no local

Informações recolhidas pelo Notícias do Norte junto de uma fonte idónea na ilha do Fogo permitem acrescentar outro elemento à reconstituição das primeiras horas da tragédia.

Segundo esta fonte, 20 das 25 vítimas mortais terão morrido no próprio local do acidente, antes de poderem ser transportadas para uma unidade hospitalar.

A mesma fonte refere que entre o local onde ocorreu o acidente e o hospital existe uma distância de cerca de 25 quilómetros, circunstância que ajuda a perceber a complexidade da operação de evacuação dos feridos depois de estes serem retirados da ravina.

O NN ressalva que estes dois elementos resultam de informação recolhida localmente e que, até ao momento, não foi divulgada pelas autoridades uma discriminação oficial indicando quantas das 25 vítimas morreram no local, durante o transporte ou posteriormente no hospital.

Esta distinção é importante também para a avaliação da operação de socorro. Se a informação de que 20 pessoas morreram no local vier a ser oficialmente confirmada, significa que a esmagadora maioria das mortes ocorreu ainda na zona do acidente.

Resgate começou sem equipamento adequado

O relato de José Alves chama, entretanto, a atenção para as condições extremamente difíceis em que decorreram os primeiros socorros.

Os populares que chegaram primeiro não dispunham de equipamentos apropriados nem tinham conhecimentos técnicos para movimentar vítimas de um acidente daquela gravidade.

O voluntário admite, por isso, a possibilidade de alguns feridos terem sido movimentados de forma inadequada durante aqueles primeiros minutos.

Esta é, contudo, uma avaliação do próprio interveniente e não existe, até ao momento, qualquer informação médica ou conclusão oficial que estabeleça que a intervenção dos populares tenha agravado o estado de alguma das vítimas.

Pelo contrário, o testemunho evidencia a rapidez com que a comunidade de Campanas reagiu perante uma situação de emergência de enorme dimensão, procurando retirar da ravina sobretudo os sobreviventes que necessitavam de assistência imediata.

Tragédia deixou 25 mortos e 14 feridos

O acidente ocorreu no dia 5 de Setembro, quando um autocarro que transportava um grupo maioritariamente constituído por crianças e jovens saiu da estrada na zona de Campanas e caiu numa ravina.

O balanço oficial permanece em 25 mortos e 14 feridos, naquela que é uma das maiores tragédias rodoviárias registadas em Cabo Verde.

As autoridades mantêm o acompanhamento dos sobreviventes e das famílias, enquanto prosseguem os trabalhos destinados a esclarecer as circunstâncias em que ocorreu o acidente.

Até esta terça-feira, 8 de Setembro, não foi oficialmente determinada a causa do despiste.

A viatura constitui uma peça importante para a investigação e as autoridades estão também a avaliar a sua retirada da ravina, procurando simultaneamente preservar os elementos necessários para o apuramento das causas.

Entretanto, uma equipa das Estradas de Cabo Verde deslocou-se ao Fogo para avaliar as condições de segurança da estrada Chã das Caldeiras–Campanas, incluindo a necessidade de instalação de protecções laterais e a eventual imposição de restrições à circulação de veículos pesados.

NN

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2026: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.