
Quem estiver a fazer as contas à eleição do presidente do MpD como se estivesse perante uma eleição presidencial nacional pode guardar a calculadora.
Paulo Veiga não precisa de 50% mais um dos votos para chegar à liderança do partido.
A regra utilizada na eleição interna é a da maioria simples, sem segunda volta, sendo eleito presidente do MpD o candidato que obtiver o maior número de votos. O próprio MpD define estatutariamente o presidente do partido como um órgão eleito directamente pelos militantes.
Assim, os 3.867 votos actualmente atribuídos a Paulo Veiga, equivalentes a cerca de 47,99% dos 8.058 votos contabilizados, não impedem a sua eleição.
Herménio Fernandes soma 3.512 votos, cerca de 43,6%, enquanto Luís Filipe Tavares aparece bastante mais atrás, com 679 votos, correspondentes a aproximadamente 8,4%.
Se o processo terminasse com estes números, Paulo Veiga seria eleito presidente do MpD mesmo sem alcançar a maioria absoluta.
Mas o processo não terminou.
A questão são os 355 votos
É aqui que começam as contas que realmente interessam.
Entre Paulo Veiga e Herménio Fernandes estão apenas 355 votos.
E o GAPE informa que permanecem por apurar 36 mesas: 28 em Santa Catarina de Santiago, cinco em Ribeira Grande de Santiago, uma em São Vicente e duas em Ribeira Grande de Santo Antão.
Além disso, ainda não se votou nos três círculos eleitorais da ilha do Fogo, devido à tragédia ocorrida no fim-de-semana, nem no círculo da Bélgica.
O próprio GAPE teve, por isso, o cuidado de classificar os números publicados esta terça-feira como “estritamente provisórios” e anunciou que só divulgará e homologará os resultados definitivos depois de concluído todo o processo.
Traduzindo do eleitoralês para português corrente: Veiga vai à frente, mas ainda não chegou.
Dos 800 para 355
Há ainda uma conta política que Paulo Veiga terá de explicar.
A sua candidatura anunciara uma vantagem superior a 800 votos, dando a eleição praticamente como resolvida. O GAPE, órgão responsável pelo processo eleitoral, apresenta agora uma vantagem oficial provisória de 355 votos.
A diferença ronda os 450 votos.
Pode haver uma explicação simples: a candidatura de Veiga poderá estar a contabilizar atas de mesas que ainda não foram incorporadas no apuramento oficial do GAPE.
Mas, enquanto essa explicação não aparecer, existem duas contas: a da candidatura, que diz mais de 800, e a do árbitro eleitoral, que diz 355.
E em eleições, mesmo nas internas de um partido, é normalmente a segunda que acaba por valer.
Paulo Veiga não precisa, portanto, de encontrar os votos que lhe faltam para chegar aos 50%.
Precisa apenas de uma coisa bem mais simples de explicar e talvez bem mais difícil de garantir: chegar ao fim com pelo menos mais um voto do que Herménio Fernandes.