
Com 25 mortos e 14 feridos, a tragédia ocorrida na estrada Chã das Caldeiras–Campanas de Cima ultrapassa o acidente de Monte Vaca, em Santiago, que durante quase 25 anos permaneceu nos registos oficiais como o mais trágico acidente de viação ocorrido em Cabo Verde.
Durante quase um quarto de século, Monte Vaca foi sinónimo da maior tragédia das estradas cabo-verdianas. A 30 de Novembro de 2001, uma colisão frontal entre duas viaturas provocou 16 mortos e dois feridos graves. A dimensão do desastre levou o Estado a escolher essa data como Dia Nacional da Segurança Rodoviária. O próprio Boletim Oficial classificou-o como “o mais trágico acidente de viação ocorrido em Cabo Verde”.
Desde a noite de sábado, 5 de Setembro de 2026, esse triste lugar na história passou a ter outro nome: Campanas.
O despiste do autocarro que regressava de Chã das Caldeiras provocou 25 mortos e 14 feridos, segundo o balanço confirmado este domingo pelas autoridades. A viatura precipitou-se por uma ravina de cerca de 30 metros. Entre as vítimas encontram-se sobretudo crianças, adolescentes e jovens.
A tragédia ultrapassa também, em número de vítimas mortais, o acidente aéreo ocorrido em 7 de Agosto de 1999, quando um Dornier 228 da Guarda Costeira, que realizava um voo comercial dos TACV entre São Vicente e Santo Antão, embateu na zona montanhosa de Pico da Cruz, depois de desistir da aterragem na Ponta do Sol devido ao mau tempo. Morreram as 18 pessoas que seguiam a bordo — 16 passageiros e dois tripulantes.
Campanas estabelece, assim, um novo e doloroso máximo nos registos conhecidos da sinistralidade rodoviária cabo-verdiana: 25 vidas perdidas num único acidente.
Perante a dimensão da tragédia, o Governo decretou dois dias de luto nacional, enquanto São Filipe vive este domingo os funerais das vítimas e acompanha a recuperação dos sobreviventes.
Monte Vaca marcou uma geração e deu ao país o Dia Nacional da Segurança Rodoviária. Vinte e cinco anos depois, Campanas obriga Cabo Verde a voltar a confrontar-se, da forma mais brutal, com a segurança nas suas estradas.