Músico e membro fundador dos Ferro Gaita morreu aos 56 anos, nos Estados Unidos. Artista deixa um importante legado na preservação e internacionalização do funaná.
O músico, intérprete, compositor e instrumentista cabo-verdiano Carlos Alberto Pereira Lopes, conhecido artisticamente por Bino Branco, morreu este sábado, 29 de agosto, aos 56 anos, nos Estados Unidos, onde se encontrava em tratamento médico.

Nascido a 29 de dezembro de 1969, na cidade da Praia, Bino Branco tornou-se numa das vozes mais reconhecidas do funaná contemporâneo e numa das principais referências na execução do “ferrinho”, instrumento tradicional que, juntamente com a gaita, marca a sonoridade deste género musical cabo-verdiano.
O artista encontrava-se nos Estados Unidos desde 2025, a realizar tratamento devido a uma doença oncológica grave.
Bino Branco foi um dos membros fundadores dos Ferro Gaita, grupo criado em 1996, na cidade da Praia, com o propósito de recuperar e valorizar a sonoridade tradicional do funaná, numa altura em que os teclados tinham ganho maior espaço no género.
Ao lado de outros músicos, Bino Branco ajudou a devolver protagonismo ao ferrinho e à gaita, elementos fundamentais da música tradicional de Santiago.
O primeiro álbum do grupo, “Fundu Baxu”, lançado em 1997, alcançou grande sucesso em Cabo Verde e na diáspora e marcou uma nova fase na valorização do funaná tradicional.
Ao longo da carreira, Bino Branco tornou-se inseparável do ferrinho, instrumento que executava com uma identidade própria e que contribuiu para transformar numa das suas principais marcas artísticas.
Antes dos Ferro Gaita, Bino Branco integrou vários grupos musicais juvenis, entre os quais o Grupo Djassy, onde assumiu o papel de vocalista principal.
Depois da dissolução do grupo, em 1991, viveu durante algum tempo na ilha Brava, mantendo uma presença regular nas noites cabo-verdianas.
O regresso à cidade da Praia viria a marcar uma nova etapa da sua carreira, com a criação dos Ferro Gaita, em 1996.
Com o grupo, percorreu palcos em Cabo Verde e no estrangeiro, levando o funaná a públicos na Europa, África e América.
Durante mais de três décadas de carreira, Bino Branco gravou sete álbuns originais com os Ferro Gaita, além de participar em trabalhos com outros artistas cabo-verdianos e de lançar um álbum a solo.
O músico é considerado um dos grandes embaixadores do funaná. E em junho deste ano, o Governo atribuiu-lhe uma pensão do Estado de 75 mil escudos mensais, como forma de reconhecimento pelo contributo prestado à cultura cabo-verdiana. A decisão foi aprovada através da Resolução n.º 89/2026, publicada no Boletim Oficial.
Na resolução, o Governo destacou precisamente o papel desempenhado pelo artista na divulgação do funaná em Cabo Verde e no estrangeiro, considerando que o seu trabalho contribuiu para transformar este género musical num dos símbolos da identidade cultural cabo-verdiana.
A morte de Bino Branco representa uma perda para a música e para a cultura cabo-verdiana.
NN