
O Governo empossou esta semana os novos Conselhos de Administração do Instituto Marítimo Portuário, da Escola do Mar e do Instituto do Mar, numa cerimónia marcada pelo compromisso com a modernização da administração marítima, a qualificação profissional e o aproveitamento sustentável dos recursos oceânicos.
Na cerimónia de tomada de posse das novas lideranças, o ministro dos Transportes e do Mar, João do Carmo, destacou a importância estratégica das três instituições para o desenvolvimento da economia marítima e para o reforço da posição de Cabo Verde enquanto nação marítima.
Para o governante, o Instituto Marítimo Portuário (IMP), que vai voltar a ser agência, deverá assumir um papel central na revitalização da administração marítima nacional, através de um sistema regulatório moderno, previsível e alinhado com as melhores práticas internacionais.
João do Carmo defendeu uma regulação capaz de garantir maior transparência na definição de preços, tarifas e taxas, promover a concorrência leal, proteger os utilizadores dos serviços e criar melhores condições para o investimento e o desenvolvimento sustentável do setor.
O ministro apontou ainda como prioridades a melhoria dos padrões de segurança marítima, o reforço da fiscalização e da capacidade técnica e o cumprimento das responsabilidades de Cabo Verde enquanto Estado de Bandeira, Estado Costeiro e Estado do Porto.
Segundo João do Carmo, o IMP deverá também acompanhar a evolução tecnológica, operacional e económica do setor, contribuindo para uma administração marítima mais eficiente e capaz de responder às exigências dos operadores, investidores e parceiros internacionais.
“Precisamos, claramente, de uma administração marítima rigorosa, eficiente, digital, previsível e orientada para resultados e para a qualidade do serviço”, afirmou.
Na Escola do Mar, a nova liderança terá pela frente o desafio de reforçar a formação e a qualificação dos profissionais ligados ao setor marítimo.
O ministro considera que a formação marítima deve ser encarada não apenas como uma função educativa, mas também como um investimento económico e uma das bases para o desenvolvimento do país.
A aposta passa pela formação de marítimos, técnicos e outros profissionais altamente qualificados, capazes de construir carreiras em Cabo Verde e competir num mercado marítimo internacional cada vez mais exigente.
João do Carmo defendeu a elevação da qualidade da formação, o reforço da certificação profissional e da componente prática, bem como uma maior aproximação dos programas formativos às necessidades concretas do mercado.
A digitalização dos portos e navios, a transição energética, a automação, a segurança marítima, a logística, a proteção ambiental e as novas tecnologias foram apontadas como áreas que estão a transformar as profissões marítimas e que deverão ser acompanhadas pela Escola do Mar.
O objetivo, segundo o ministro, é transformar a instituição numa referência nacional na formação marítima e numa plataforma de qualificação profissional, permitindo aos jovens encontrar no setor não apenas uma profissão, mas também oportunidades de carreira e acesso ao mercado internacional.
Já no Instituto do Mar (IMar), a prioridade passa pelo reforço da investigação científica e pela transformação do conhecimento produzido em soluções concretas para o desenvolvimento do país.
João do Carmo sublinhou que o desenvolvimento sustentável dos recursos oceânicos depende de um conhecimento mais profundo dos mares, dos seus ecossistemas, recursos, dinâmicas e riscos.
Neste sentido, defendeu uma ligação cada vez mais estreita entre a ciência, as políticas públicas e as decisões económicas.
Entre os principais desafios apontados estão a gestão sustentável dos recursos marinhos, as alterações climáticas, a conservação dos ecossistemas, as pescas e aquacultura, a biotecnologia marinha e o aproveitamento sustentável das oportunidades ligadas à Economia Azul.
O ministro destacou ainda o trabalho desenvolvido pelo Instituto nos últimos anos, nomeadamente através da implementação de projetos estruturantes e do reforço da cooperação científica internacional.
Para João do Carmo, Cabo Verde dispõe atualmente de competências e credibilidade para participar de forma ativa nas redes globais de investigação oceânica.
O novo desafio será, segundo o governante, transformar cada vez mais o conhecimento científico em políticas públicas eficazes, inovação, atração de investimentos e novas oportunidades de desenvolvimento económico.
Com a entrada em funções das novas lideranças do IMP, da Escola do Mar e do IMar, o Governo pretende reforçar a capacidade institucional do setor e colocar estas três estruturas no centro da estratégia de modernização da economia marítima e de valorização da Economia Azul em Cabo Verde.
NN