
O Presidente da República, José Maria Neves, considera ter cumprido o seu papel na garantia da estabilidade política e institucional de Cabo Verde, apesar dos momentos de tensão e de alguma hostilidade que marcaram o mandato.
Em entrevista-balanço ao jornal A Nação, publicada na edição desta quinta-feira, 27, o chefe de Estado afirmou que, perante situações de tensão, procurou sempre “agir como pacificador” e criar condições para o normal funcionamento das instituições.
“E foi isso que eu fiz”, afirmou José Maria Neves, explicando que, para além das intervenções públicas, recorreu muitas vezes ao diálogo e a contactos discretos com as entidades responsáveis pela resolução dos problemas.
Entre as principais realizações do mandato, destacou a iniciativa “Presidência na Ilha”, que lhe permitiu visitar todas as ilhas do país e manter contacto directo com autoridades locais, sociedade civil, igrejas, empresas e organizações não-governamentais.
Segundo o Presidente, estas visitas permitiram conhecer de perto os problemas de cada ilha e contribuir para acelerar políticas públicas e encontrar soluções para diferentes desafios locais.
José Maria Neves apontou também a “Presidência na Diáspora”, as cinco conferências realizadas no âmbito da Década do Oceano e o encontro sobre a Crioulidade Atlântica como iniciativas de destaque durante o seu mandato.
O reforço do poder local foi igualmente apontado como uma das suas prioridades. O chefe de Estado defendeu a transferência de mais competências e recursos para as autarquias, assim como um maior apoio às organizações não-governamentais e uma relação mais aberta entre o Estado, a sociedade e as empresas.
Questionado sobre a convivência institucional com uma força política diferente daquela com que se identifica, José Maria Neves afirmou que o Presidente da República deve exercer a sua função através do diálogo e do aconselhamento.
“O Presidente aconselha e nem sempre o faz publicamente”, declarou.
O chefe de Estado explicou que muitas das soluções alcançadas ao longo do mandato resultaram de aconselhamentos e sugestões transmitidos ao Governo e a outras entidades, sem que essas intervenções se tornassem públicas.
“Muitas coisas foram feitas e que não passaram para a praça pública”, afirmou, referindo-se ao trabalho desenvolvido através de contactos institucionais e intervenções discretas.
A pouco mais de 20 dias do prazo-limite para a apresentação das candidaturas às eleições presidenciais de 15 de Novembro, José Maria Neves garantiu que, neste momento, não depende do apoio específico de nenhum partido político para uma eventual recandidatura.
O Presidente não confirmou, contudo, qualquer decisão definitiva sobre uma nova candidatura.
Sobre a polémica envolvendo a primeira-dama, José Maria Neves afirmou não acreditar que o caso tenha manchado o seu mandato. Lamentou, no entanto, aquilo que considera ter sido uma utilização político-partidária da questão para atingir a sua imagem.
O chefe de Estado disse que o assunto foi “explorado claramente com intenções político-partidárias para prejudicar e manchar a imagem” do Presidente da República.
Ao fazer o balanço do mandato, José Maria Neves reafirmou, assim, a ideia de que a Presidência deve funcionar como uma instituição de equilíbrio, diálogo e estabilidade, mesmo perante divergências e momentos de maior tensão política.