Uma tartaruga por oito mil escudos: três homens detidos quando levavam o animal vivo para vender na Praia

19/08/2026 01:32 - Modificado em 19/08/2026 01:32
@-Biosfera

A tartaruga saiu melhor desta história: foi devolvida ao mar. Os três suspeitos, detidos em flagrante, ficaram em liberdade, mas terão de apresentar-se quinzenalmente à Polícia. O Tribunal considera fortemente indiciada a aquisição e transporte ilegal de uma espécie protegida.

Há negócios que acabam antes de começar.Este terminou com uma tartaruga marinha de grande porte na traseira de uma viatura, três homens detidos e oito mil escudos que, segundo os autos, seriam o preço pago pelo animal.

A tartaruga, pelo menos, regressou ao lugar de onde nunca deveria ter saído: o mar.

Segundo informação judicial divulgada pela Inforpress, três indivíduos foram detidos em flagrante delito na noite de 15 de Agosto, na sequência de uma ocorrência relacionada com a alegada captura de tartarugas marinhas na Praia de São Francisco, na ilha de Santiago.

Oito mil escudos e uma viagem até à Praia

A Polícia Nacional foi alertada por volta das 22h25.Nas proximidades de São Francisco, os agentes localizaram uma viatura com as características que lhes tinham sido comunicadas e acabaram por intercetá-la na zona de Agostinho Alves.

No interior estavam três homens.Na traseira estava aquilo que provavelmente não aparece no manual de utilização do automóvel: uma tartaruga marinha de grande porte, viva e aparentemente sem ferimentos externos.

Segundo a decisão judicial citada pela Inforpress, os arguidos terão admitido que se deslocaram à Praia de São Francisco para comprar a tartaruga por 8.000 escudos, transportando-a depois para a Cidade da Praia com intenção de a vender ainda viva.

A Polícia Marítima recebeu o animal e procedeu posteriormente à sua libertação no mar.

Não é peixe. Não é mercadoria. É uma espécie protegida

O Tribunal considerou existirem fortes indícios de factos suscetíveis de constituir crime ao abrigo do regime especial de proteção e conservação das tartarugas marinhas em Cabo Verde.

A legislação proíbe, entre outras condutas, capturar, deter, adquirir, comercializar ou transportar ilegalmente tartarugas marinhas.

E talvez seja este o especto mais inquietante do caso.

Não estamos perante alguém que encontrou ocasionalmente um animal.

Segundo os elementos considerados pelo Tribunal, havia compra, transporte e intenção de revenda.

Ou seja, uma tartaruga protegida estava a ser tratada como mercadoria.

E tinha preço:oito mil escudos.

Liberdade, mas com apresentação quinzenal

Apesar de considerar os factos fortemente indiciados e reconhecer risco de repetição de comportamentos semelhantes, o Juízo de Instrução Criminal entendeu não ser necessária uma medida privativa da liberdade.

Os três arguidos foram libertados e terão de apresentar-se quinzenalmente na esquadra da Polícia Nacional da respectiva área de residência, enquanto aguardam os próximos desenvolvimentos do processo.

O Tribunal determinou igualmente o levantamento da apreensão da viatura.

É importante lembrar: os três homens são arguidos e beneficiam da presunção de inocência até decisão judicial definitiva.

Desta vez, pelo menos, a história acabou no mar

Cabo Verde construiu ao longo dos últimos anos uma imagem internacional ligada à protecção das tartarugas marinhas. Mas as leis e as campanhas de sensibilização não eliminaram uma prática antiga que ainda resiste em algumas comunidades: a captura para consumo ou comercialização.

Este episódio mostra precisamente isso.

Alguém captura.

Alguém compra.

Alguém transporta.

E, aparentemente, alguém estaria disposto a comprar depois.

É esta cadeia que torna o problema maior do que três homens dentro de uma viatura.

Desta vez, a Polícia chegou antes do comprador final.

Os homens seguiram para o Tribunal.

A tartaruga voltou ao mar.

Entre todas as decisões tomadas naquela noite, pelo menos uma terminou exatamente onde devia.

NN

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2026: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.