
Candidatura à liderança do MpD apresenta presença em todos os 22 concelhos e em oito comunidades da diáspora como prova de força.
Eleições internas acontecem a 6 de Setembro, antes da Convenção Nacional de final do mês.
Há uma altura numa eleição interna em que já não basta dizer que se tem apoio. É preciso começar a mostrar onde ele está
Paulo Veiga decidiu mostrar o mapa. A sua candidatura à liderança do MpD anunciou ter conseguido apoio validado em 30 dos 33 círculos eleitorais que estarão representados na Convenção Nacional do partido, marcada para 25 a 27 de Setembro, na Praia.
Segundo a candidatura, os dados do GAPE confirmam uma implantação que cobre os 22 concelhos do país e oito comunidades da diáspora.
O número é apresentado como o maior entre as candidaturas à liderança.
E aqui está a mensagem política que Paulo Veiga pretende fazer passar: uma coisa é aparecer nas sondagens. Outra é conseguir encontrar militantes suficientes para colocar nomes numa lista em quase todo o país.
30 em 33: o número que a candidatura quer transformar em votos
A candidatura faz questão de sublinhar que este resultado não apareceu por magia.
Atribui-o a uma rede de mandatários, delegados e coordenadores que trabalhou nos concelhos, nas ilhas e na diáspora.
É uma leitura interessante.
Porque numa eleição interna de um partido, onde não vota o país inteiro mas sim a máquina partidária, a geografia dos delegados pode ser mais importante do que a popularidade nas redes sociais.
Paulo Veiga parece ter percebido isso. E está a transformar o número 30/33 numa espécie de primeira sondagem feita com papel, caneta e militantes.
Não é ainda uma vitória. Mas é uma fotografia da capacidade de mobilização.
“Uma Visão que Une”
A candidatura tenta também associar esta implantação territorial ao conteúdo da sua moção, intitulada “Uma Visão que Une”.
A proposta assenta em cinco ideias principais. Mais poder às concelhias. Mais democracia interna. Digitalização do partido. Maior presença dos jovens na liderança. E uma diáspora com verdadeiro peso na organização partidária.
A ideia central é simples: um partido nacional não pode funcionar apenas a partir da sua cúpula.
Paulo Veiga quer devolver poder às estruturas locais e promete uma revisão estatutária nesse sentido. Defende ainda votação eletrónica nas decisões internas e uma base de dados nacional dos militantes. Ou seja, pretende modernizar uma máquina partidária que, depois de dez anos no poder, perdeu as eleições legislativas e entrou agora numa disputa sobre quem deve reconstruí-la.
A diáspora entra no mapa
Oito comunidades da diáspora aparecem igualmente nas contas da candidatura.
Paulo Veiga quer uma estrutura orgânica própria para os cabo-verdianos no exterior, com participação permanente na vida interna do partido. Não apenas quando chegam as eleições e se descobre, subitamente, que Cabo Verde também existe em Lisboa, Boston, Roterdão ou noutras cidades onde vivem militantes do MpD.
É uma proposta que pode ganhar importância num partido que procura reconstruir a sua base eleitoral e organizativa.
Mas 30 listas não são 30 votos. Aqui convém colocar algum travão à festa.
A implantação territorial é um indicador importante. Mas não é uma eleição.
Ter listas em 30 círculos não significa automaticamente ter maioria de delegados. E ter presença em todos os concelhos também não significa controlar todos eles.
É precisamente por isso que as próximas semanas serão importantes.
A verdadeira disputa será saber quantos daqueles apoios se transformam em votos no dia 6 de Setembro. Porque, em política partidária, há uma diferença curiosa entre assinar uma lista e colocar uma cruz no boletim.
E essa diferença já derrotou muita candidatura que parecia invencível.
A batalha pelos números
A candidatura de Paulo Veiga aproveitou ainda para atacar os estudos de opinião que considera pouco sólidos e enviesados. É uma crítica que também faz parte da disputa.
Mas há aqui uma ironia. Todos os candidatos gostam das sondagens quando aparecem à frente. Quando aparecem atrás, descobrem rapidamente que a estatística também pode ter opiniões políticas.
Paulo Veiga prefere agora outro indicador:
30 dos 33 círculos.
É concreto. Pode ser contado. E, sobretudo, pode ser conferido.
A verdadeira batalha começa agora
As eleições internas estão marcadas para 6 de Setembro.
A Convenção Nacional acontecerá entre 25 e 27 de Setembro.
Até lá, Paulo Veiga continuará a percorrer concelhos e comunidades da diáspora.
A candidatura quer apresentar esta implantação como prova de que é capaz de fazer aquilo que o próprio nome da sua moção promete: unir o MpD.
Mas a política interna tem uma regra antiga. Primeiro conta-se quem está connosco.
Depois contam-se os votos. E só no fim se conta quem ganhou.
Por enquanto, Paulo Veiga tem um número para mostrar: 30 em 33.
Agora falta saber se o número que realmente interessa — 50% mais um — também está no seu mapa.