Ucrânia: Julho foi o mês mais mortífero para os civis desde maio de 2022

13/08/2026 13:28 - Modificado em 13/08/2026 13:28
© Kostiantyn Liberov/Libkos/Getty Images)

O mês de julho foi o mais mortífero para os civis na Ucrânia desde maio de 2022, com 437 mortos e 2.160 feridos, após quatro anos e meio de invasão russa, anunciou hoje a ONU.

s dados representam um aumento de 30% em relação a junho, e de 70% comparativamente a julho de 2025, alertou a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia (HRMMU, na sigla em inglês).

“O número de pessoas mortas é o mais elevado registado desde maio de 2022”, afirmou a ONU num relatório divulgado em Kyiv, citado pela agência France-Presse (AFP).

A Rússia disparou em julho um número recorde de mísseis sobre a Ucrânia, de acordo com uma análise da AFP aos relatórios diários da força aérea ucraniana.

A Ucrânia tem pressionado o Presidente norte-americano, Donald Trump, a fornecer-lhe mais meios para fazer face à situação.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou hoje a Trump para que venda à Ucrânia entre 5% e 10% das reservas dos Estados Unidos de mísseis “Patriot”, face à escassez destes intercetores de mísseis balísticos na Ucrânia.

“Se os Estados Unidos nos venderem 5%, conseguiremos passar o inverno e salvar vidas. Se nos venderem 10%, destruiremos todos os mísseis balísticos russos”, afirmou, durante uma entrevista à televisão norte-americana CNN, citada pela agência espanhola EFE.

Desde o início do ano, a missão da ONU em Kyiv registou 12.477 vítimas civis (1.839 mortos e 10.638 feridos), o que representa um aumento de 44% em relação ao mesmo período de 2025 e mais do dobro em relação ao de 2024.

“Os civis enfrentam riscos crescentes devido à maior utilização de mísseis e drones nos centros urbanos, de bombas guiadas nas cidades mais próximas da linha da frente e de drones de curto alcance”, assinalou a chefe da missão, Danielle Bell.

A capital ucraniana sofreu em julho ataques que fizeram pelo menos 54 mortos e 202 feridos.

As forças russas lançaram repetidamente bombardeiros massivos sobre Kyiv, com mísseis balísticos e de cruzeiro.

Os drones e mísseis de longo alcance continuaram a ser a principal causa de vítimas civis em julho, representando 38% do total, de acordo com a HRMMU.

Paralelamente, o número de vítimas civis na Rússia também aumentou em julho, com as autoridades russas a reportar 79 mortos e 601 feridos, referiu a missão da ONU.

A HRMMU não pôde verificar os números russos de forma independente, devido à falta de acesso e a informações limitadas, explicou.

Nos últimos meses, os ataques têm subido de intensidade de ambos os lados da linha da frente daquele que se tornou o conflito mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Desde 24 de fevereiro de 2022, dia do início da invasão russa da Ucrânia, a missão da ONU contabilizou pelo menos 16.874 civis mortos, dos quais 820 crianças, e 51.273 feridos, incluindo 3.126 crianças.

Os números são provavelmente muito subestimados devido à incapacidade da HRMMU de aceder às zonas da Ucrânia ocupadas pela Rússia.

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