
Ontem completou um ano da tempestade Erin. 11 de agosto de 2025 foi um dia sombrio para São Vicente. ATempestade provocou nove mortos, dois desaparecidos e avultados prejuízos. Um ano depois, a Câmara Municipal garante que várias obras de recuperação já foram realizadas, mas admite que ainda há muito por fazer.
Um ano depois da passagem da tempestade Erin, que provocou nove mortos, dois desaparecidos e deixou um rasto de destruição na ilha de São Vicente, continuam os trabalhos de recuperação e de reforço das infraestruturas para reduzir os riscos associados às chuvas intensas.
As inundações atingiram vários bairros da cidade do Mindelo e provocaram danos significativos em habitações, estradas, redes de drenagem e esgotos, além de prejuízos avultados no comércio.
Na Praça Estrela, uma das zonas mais afetadas, vários comerciantes ficaram com os estabelecimentos inundados e perderam grandes quantidades de mercadoria. A água e a lama invadiram as barracas e causaram prejuízos avaliados em milhões de escudos.
Um ano depois, a Câmara Municipal de São Vicente reconhece que a recuperação ainda não está concluída, mas garante que várias intervenções já foram realizadas.
Em declarações à imprensa, o vereador da Proteção Civil, José Carlos da Luz, explicou que a dimensão dos estragos tornou impossível concluir todas as intervenções num único ano.
“Já fizemos muito trabalho, nem tudo ainda está feito. Era impossível num ano fazer tudo, tendo em conta o nível dos estragos existentes na ilha”, afirmou.
Na Praça Estrela, segundo o vereador, foram realizados trabalhos de correção torrencial, substituídas tampas e alargados canais de drenagem. A autarquia diz também ter reforçado a drenagem das águas pluviais e a rede de esgotos, com a instalação de tubagens de maior dimensão para facilitar o escoamento das águas residuais.
Outra intervenção apontada pela Câmara foi a limpeza das bacias de retenção, consideradas importantes para reduzir os riscos de inundações em períodos de chuva intensa.
No setor da habitação, José Carlos da Luz revelou que 260 casas foram recuperadas em vários bairros da ilha, permitindo melhorar as condições de habitabilidade das famílias afetadas pela tempestade.
A autarquia afirma ainda ter realojado 76 famílias, enquanto outras 36 famílias estão atualmente num processo de realojamento. Segundo o vereador, o município e o Governo estão a suportar as despesas de arrendamento das famílias que deverão ser transferidas para o complexo Clarinete, em Ribeira de Julião.
Apesar dos avanços, a Câmara Municipal admite que a recuperação de São Vicente exige ainda investimentos significativos, sobretudo nas áreas da drenagem, saneamento, estradas e proteção contra fenómenos meteorológicos extremos.
O município espera, por isso, continuar a contar com o apoio do Governo central para reforçar a capacidade de resposta da ilha e criar infraestruturas mais preparadas para os efeitos das alterações climáticas.
Um ano depois da Erin, São Vicente apresenta sinais de recuperação, mas as marcas da tempestade continuam visíveis. Para além da reconstrução das infraestruturas, permanece o desafio de preparar a ilha para enfrentar futuras chuvas intensas e evitar que uma nova tempestade volte a provocar perdas humanas e prejuízos de grande dimensão.