S. Vicente: Presidente da Assembleia Nacional alerta para impacto dos custos e dificuldades de financiamento das empresas

6/08/2026 15:30 - Modificado em 6/08/2026 15:30

O Presidente da Assembleia Nacional defendeu, em São Vicente, a necessidade de aproximar o Parlamento das populações e conhecer no terreno as suas preocupações, desafios e potencialidades, sublinhando que a representação política deve partir do contacto direto com a realidade das pessoas e dos setores económicos.

Durante uma visita à ilha, integrada numa missão parlamentar de auscultação, o presidente da Casa Parlamentar afirmou que “a Casa das Leis tem de estar junto do povo”, ouvindo as suas aspirações e dificuldades, numa altura em que o país se prepara para o debate do próximo Orçamento do Estado.

“Defender uma perspetiva conhecendo a realidade é diferente de partir apenas de relatórios ou documentação”, afirmou, destacando que a função dos deputados é representar os cidadãos e compreender as especificidades de cada ilha para contribuir com propostas mais ajustadas.

Segundo explicou, a visita acontece depois da aprovação da moção de confiança e da apreciação do Programa do Governo pelo Parlamento, numa fase em que é importante recolher contributos dos diferentes setores da sociedade.

O responsável parlamentar destacou que São Vicente foi escolhida para visitas a instituições sociais, mas também a empresas, tendo em conta a importância do setor privado na criação de emprego, redução das importações e reforço da segurança alimentar.

“É importante que o Parlamento, que tem a missão de analisar e votar, possa estar ciente das necessidades que o país tem”, afirmou, acrescentando que as empresas têm levantado preocupações relacionadas com os custos dos fatores de produção, nomeadamente energia, transportes e acesso ao financiamento.

Entre as entidades visitadas esteve a Fazenda do Camarão, empresa que sofreu prejuízos significativos na sequência da tempestade que atingiu São Vicente há cerca de um ano.

O administrador da empresa, Carles Santos, explicou que a recuperação tem sido marcada por grandes dificuldades, devido à falta de apoios financeiros e às limitações no acesso ao crédito.

“Nós o que tentamos fazer neste momento é aguentar a situação. Não conseguimos os apoios que foram prometidos, ou conseguimos muito poucos apoios. Não conseguimos créditos comerciais, nem créditos às taxas de juros prometidas”, afirmou.

A empresa conseguiu retomar apenas cerca de 40% da área de produção, depois de ter perdido mais de metade da sua capacidade produtiva, incluindo uma parte significativa da capacidade energética, considerada um dos principais fatores de produção.

“Perdemos mais da metade da nossa capacidade de produção e estamos a aguentar para ver até que ponto conseguimos resistir e se aparece uma oportunidade de financiamento para recuperar e continuar”, explicou.

Segundo Carles Santos, os projetos de expansão e desenvolvimento da empresa encontram-se atualmente suspensos, com a prioridade centrada na sobrevivência da atividade.

“Está tudo em stand-by. É simplesmente aguentar a situação para não morrer”, afirmou, manifestando esperança numa nova abordagem por parte do atual Governo.

Fazenda do Camarão espera apoio para recuperar produção e reduzir importações

O administrador defendeu uma maior proximidade da administração pública com os projetos considerados estratégicos para o país, não apenas numa lógica de fiscalização, mas também de acompanhamento e apoio.

“Esperamos um olhar diferente, mais incisivo e mais musculado em relação às instituições e à administração pública, desde que aquilo que fazemos seja considerado importante para o país”, disse.

Para Carles Santos, a Fazenda do Camarão poderá ser um modelo replicável noutras ilhas, contribuindo para a produção nacional, criação de emprego e redução da dependência externa.

“O nosso sonho é deixar de importar camarão e que isso seja uma realidade”, afirmou.

Questionado sobre os próximos passos, o administrador explicou que a empresa aguarda a organização das estruturas governamentais para retomar contactos institucionais.

“Estamos principalmente à espera que o senhor Primeiro-Ministro, que também é Ministro das Finanças, arrume a casa para conversarmos”, concluiu.

A visita parlamentar a São Vicente surge, assim, como uma oportunidade para recolher contributos que poderão influenciar futuras propostas e decisões no Parlamento, num momento em que o país prepara a discussão do Orçamento do Estado para 2027.

NN

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