
O Governo de Cabo Verde vai substituir embaixadores colocados em postos considerados estratégicos e suspender a operação do avião King Air 360ER devido aos elevados custos de manutenção. O anúncio foi feito esta sexta-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional e da Defesa, Manuel Amante da Rosa, durante o debate parlamentar sobre o estado da Nação.
Segundo o governante, a substituição de alguns chefes de missão diplomática pretende “imprimir uma nova dinâmica à diplomacia cabo-verdiana” e ajustar os perfis dos embaixadores aos desafios actuais do país.
Manuel Amante da Rosa afirmou que o actual Executivo encontrou algumas representações diplomáticas “anos paralisadas” e sem uma orientação política considerada adequada, apontando como exemplos as embaixadas de Cabo Verde nos Estados Unidos, Bruxelas, Lisboa e Berlim.
O ministro revelou que já existe um entendimento com o primeiro-ministro e o Presidente da República para avançar com a nomeação de novos embaixadores para postos considerados prioritários, bem como promover o regresso de diplomatas que permanecem há vários anos no exterior.
“Mais do que preencher vagas, estamos a redefinir o perfil de cada embaixada, dando maior destaque às áreas económica, consular e política”, afirmou Manuel Amante da Rosa, defendendo a necessidade de uma diplomacia mais orientada para resultados e para a captação de investimentos.
O governante destacou ainda limitações nos recursos humanos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, indicando que cerca de 70% dos diplomatas estão actualmente colocados fora do país, situação que, segundo explicou, condiciona o funcionamento dos serviços centrais.
Durante a intervenção no Parlamento, Manuel Amante da Rosa anunciou também a suspensão da operação da aeronave King Air 360ER, adquirida pelo Estado de Cabo Verde, devido aos elevados encargos financeiros associados à sua manutenção.
O ministro classificou o processo de aquisição e gestão da aeronave como “um negócio muito lesivo ao Estado de Cabo Verde”, lembrando que o avião, comprado por mais de 22 milhões de dólares, sofreu um incidente no primeiro dia de operação, em Abril de 2025, durante um voo de treino.
O acidente provocou danos num motor e numa hélice, levando o Estado a recorrer a soluções alternativas com custos elevados. De acordo com Manuel Amante da Rosa, actualmente estão envolvidos cerca de 190 mil contos em contratos de manutenção da aeronave.
“O Estado não tem como continuar com estes encargos financeiros”, afirmou o ministro, acrescentando que a solução passa por devolver os motores alugados e suspender a operação do avião até que toda a situação seja esclarecida.
Manuel Amante da Rosa explicou ainda que os dois motores originais da aeronave estão em reparação, um no Canadá e outro na África do Sul, e que o Governo não dispõe de condições para continuar a suportar os custos relacionados com o aluguer de motores substitutos.
O ministro anunciou igualmente que o Governo pretende enviar à Procuradoria-Geral da República vários processos relacionados com a gestão do sector da Defesa.
Entre os casos mencionados estão a venda da aeronave Dornier 228 e a alienação de património do Estado de Cabo Verde em Portugal. Segundo Manuel Amante da Rosa, existem dúvidas que deverão ser analisadas pelas autoridades competentes.
O governante garantiu que o envio dos processos pretende assegurar o esclarecimento das situações e a responsabilização caso sejam identificadas irregularidades.
NN/Inforpress