Itália suspende acordos Schengen com Espanha e fecha fronteiras aéreas e marítimas

31/07/2026 16:20 - Modificado em 31/07/2026 16:20

A entrada ilegal, nos últimos dias, de milhares de pessoas na cidade espanhola de Ceuta, está a alarmar os líderes europeus, receosos que milhares de imigrantes ilegais se espalhem sem controlo pelo território europeu, aproveitando a livre circulação criada pelo acordo de Schengen.

A entrada ilegal, nos últimos dias, de milhares de pessoas na cidade espanhola de Ceuta, está a alarmar os líderes europeus, receosos que milhares de imigrantes ilegais se espalhem sem controlo pelo território europeu, aproveitando a livre circulação criada pelo acordo de Schengen.
© Foto: Anadolu via Reuters Connect

Seguindo o apelo de quinta-feira à noite, para excluir Espanha do Espaço Schengen, o governo italiano anunciou esta tarde a suspensão unilateral dos acordos Schengen com Espanha, devido à crise migratória em Ceuta, e fechou as fronteiras aéreas e marítimas. A decisão, anunciada quinta-feira à noite, foi formalmente aprovada na manhã de sexta-feira durante uma reunião no Ministério do Interior, presidida pelo Ministro do Interior, Matteo Piantedosi, com base nas avaliações do Comité Italiano de Análise da Migração e Segurança das Fronteiras.

Finlândia, sexta-feira de manhã e, ao início da tarde de sexta-feira, a Dinamarca, juntaram-se ao apelo italiano para suspender a aplicação do acordo Schengen em Espanha.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, “chocada” com as imagens oriundas de Ceuta, anunciou que “iria reunir os líderes europeus para discutir a situação”.

É evidente que a UE deve tomar imediatamente todas as medidas necessárias e considerar todas as opções, incluindo a suspensão da cooperação Schengen. A imigração descontrolada representa uma ameaça para a Europa e para a Dinamarca”, afirmou Frederiksen.

A Áustria apelou ao imediato reforço fronteiriço no espaço europeu.

Pedro Sánchez disse já aos líderes europeus que “este não é o momento para nos dividirmos”.

Bruxelas sublinhou já que não observa qualquer fluxo de migrantes “em direção ao continente europeu”, tentando acalmar os ânimos.

No entanto, o código Schengen não prevê a suspensão de um Estado-membro. “O sistema Schengen não inclui tal disposição: um Estado não pode excluir unilateralmente outro“, explicou, à Agência France Press, Marie-Laure Basilien-Gainche, professora de Direito na Universidade de Lyon 3, em França.

Um Estado-membro pode, sim, restabelecer controlos fronteiriços excepcionais e temporários de acordo com procedimentos detalhados no Código Schengen. 

São autorizados, por exemplo, em casos de “graves ameaças à segurança interna ou à ordem pública”.

A maioria dos Estado europeus que já reagiram, incluindo Bruxelas, Alemanha e Portugal, aplaudindo os esforços já em curso de repatriamento dos 60.000 imigrantes que entraram em Ceuta.

Lembram, contudo, responsabilidades a Madrid e estão a adotar medidas nacionais.

Reforço do controlo fronteiriço

O Presidente francês, Emmanuel Macron, expressou a sua “solidariedade com Espanha”.  

O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou entretanto sexta-feira, na rede social X, o reforço dos controlos na fronteira entre França e Espanha, tendo ativado a “Força de Intervenção Rápida na Fronteira para verificações detalhadas”, com o número de polícias e gendarmes a ser quintuplicado no sábado.

Igual medida está já a ser aplicada pela Alemanha, com o ministro da Administração Interna, Alexander Dobrindt, a anunciar o possível alargamento dos atuais controlos fronteiriços, implementados em Setembro de 2024 e renovados a cada seis meses desde então.

“Devemos preservar e reforçar os nossos sucessos no combate à imigração ilegal”, afirmou Dobrindt.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou entretanto que “Espanha quer e deve retomar o controlo da situação em Ceuta o mais rapidamente possível” e o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, indicou estar em contacto “colegas da União Europeia”, sobre a crise.

Em Portugal, o governo assume estar preocupado e atento, com o partido Chega a anunciar a entrega no Parlamento de uma iniciativa para que seja reposto o controlo das fronteiras terrestres com Espanha.

Quase 40.000 repatriados

Madrid, em conjunto com Marrocos, está a tomar medidas de repatriamento, com algum sucesso.

“Partidas de Ceuta para Marrocos até às 18h00 do dia 31 de julho (17h00 em Portugal): mais de 48.300”, indicou o Ministério do Interior espanhol.

Ceuta recebeu aproximadamente a entrada de 60.000 pessoas em poucos dias, confirmou esta sexta-feira o Ministério do Interior espanhol.

Juan Vivas, presidente do governo local de Ceuta, em conferência de imprensa na sexta-feira, disse que, “isto representa 70% da população de Ceuta. É como se 34 milhões de pessoas tivessem entrado em território espanhol em 24 horas. Obviamente, é impossível absorver esta pressão”.

c/agências

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2026: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.