
A 14.ª edição do Mindel Summer Jazz (MSJ) realiza-se este ano num formato renovado, depois de um período marcado por dificuldades financeiras e incertezas quanto à realização do festival. O promotor Alexandre “Xazé” Novais admite que esta foi uma das edições mais difíceis de preparar, mas garante que o evento mantém a sua essência: qualidade musical, valorização dos artistas cabo-verdianos e ligação com a diáspora.
“Foi uma edição muito difícil de organizar”, afirmou Xazé Novais, explicando que um festival desta dimensão exige preparação com vários meses de antecedência. Segundo o promotor, a falta de garantias atempadas de financiamento tornou o processo mais complicado e chegou mesmo a colocar em causa a realização do evento.
O responsável destacou o papel dos parceiros institucionais e privados na concretização do festival, e reconheceu que o contexto deste ano foi desafiante, com mudanças institucionais e dificuldades próprias de um período de transição.
“Era preciso sentarmo-nos à mesa, definir prioridades e encontrar uma forma de garantir a realização do festival”, explicou.
Face às limitações, a organização optou por um formato mais compacto. O tradicional programa do MSJ sofreu alterações, deixando de contar com algumas iniciativas habituais, como o MS Junior, a pré-abertura no Pontão da Marina do Mindelo e os dois dias completos na Pracinha do Liceu Velho.
Apesar disso, Xazé Novais garante que a qualidade artística será mantida.
“Não queríamos fazer um festival menor em qualidade. A ideia foi condensar a programação e manter aquilo que é essencial: grandes músicos, boas sonoridades e um ambiente que continue a marcar a cidade do Mindelo”, afirmou.
A edição deste ano terá como destaque uma homenagem a Morgadinho, figura incontornável da música tradicional cabo-verdiana. O promotor explica que a intenção era homenagear o músico em vida, celebrando não apenas a sua carreira, mas também o seu papel na ligação entre Cabo Verde e o mundo.
“Morgadinho representa plenamente esse Cabo Verde global, essa diáspora, essa forma de levar a nossa música para além das fronteiras”, sublinhou.
A programação arranca com uma noite gratuita no Pontão da Marina do Mindelo, onde estarão em palco projetos como a Orquestra Sabe Sebim, uma formação com a qual o festival mantém uma relação de longa data, e Voginha quarteto de jazz com participação de Kira Tavares.
Pedro “Vou” Monteiro, também promotor do Mindel Summer Jazz, reforçou que a realização da edição de 2026 esteve em dúvida até ao último momento.
“Não sabíamos sequer se o festival ia acontecer este ano, por vários motivos, incluindo dificuldades relacionadas com a logística e com a deslocação de artistas da Praia para São Vicente”, explicou.
Segundo o promotor, a confirmação só aconteceu numa fase final, após contactos com parceiros e garantias de apoio institucional. Inicialmente, a organização chegou a ponderar realizar apenas um dia de festival, mas manteve a aposta na qualidade e na identidade do evento.
“Mesmo reduzido, não podíamos baixar o padrão. O Mindel Summer Jazz tem uma marca e uma exigência que queremos preservar”, afirmou.
A programação inclui projetos cabo-verdianos e artistas da diáspora, com destaque para o Matos Trio, a Banda Pret e Bronk,
O festival contará ainda com a participação de Zé Carlos, conhecido como Kappa, e de um convidado internacional, o baixista brasileiro Munir Hosn.
A 14.ª edição do Mindel Summer Jazz acontece na sexta-feira, dia 31 de julho, e promete, segundo a organização, manter o espírito de um dos principais eventos de jazz de Cabo Verde, mesmo num ano marcado por limitações e desafios.
NN