O objetivo é cumprir um ciclo de dois anos de organização para, em 2027, candidatar-se à categoria Challenger, um patamar superior do circuito mundial.

A praia da Laginha, em São Vicente, volta a ser palco do Volleyball World Beach Pro Tour Futures – Laginha, que regressa para a sua segunda edição, reunindo atletas de 17 nacionalidades, num evnto que segundo a Federação Cabo-verdiana de Voleibol (FCV) representa mais um passo na estratégia para elevar o estatuto da competição.
O presidente da FCV, António Rodrigues, explicou que este percurso permitirá atrair maior envolvimento da Federação Internacional de Voleibol (FIVB), patrocinadores internacionais e reforçar a credibilidade do evento. “Temos de passar por esta experiência de dois anos para, no terceiro, atingirmos outro nível, com mais apoio internacional, mais patrocinadores e maior credibilidade”, afirmou.
Apesar do sucesso organizativo da edição anterior, António Rodrigues reconhece que os constrangimentos nos transportes aéreos continuam a ser a maior dificuldade para a realização da prova.
Segundo o dirigente, várias duplas enfrentaram problemas para chegar a São Vicente. Algumas equipas acabaram por desistir da participação devido à falta de ligações aéreas, incluindo os campeões africanos da Gâmbia. Outras delegações, como as da Inglaterra e da Áustria, conseguiram viajar apenas à última hora, através de voos alternativos via ilha do Sal.
Ainda assim, o presidente da FCV garante que Cabo Verde reúne todas as condições para acolher competições internacionais.
“Temos capacidade organizativa, uma ilha fantástica e uma população extremamente acolhedora. Queremos mostrar aos atletas que São Vicente tem todas as condições para receber grandes eventos internacionais”, destacou.
Além das dificuldades de transporte, o elevado custo das viagens durante o verão também condiciona a presença de algumas equipas internacionais. António Rodrigues refere ainda que a realização de outras competições internacionais, em datas próximas, também influencia a decisão de várias duplas.
Mesmo assim, a organização conseguiu assegurar uma participação semelhante à inicialmente prevista.
Cabo Verde está representado por oito duplas, quatro masculinas e quatro femininas, apuradas através do Campeonato Nacional disputado na praia da Laginha.
Entre as principais apostas estão Ludmila e Janice, vencedoras da competição da Zona 2 africana, bem como outras duplas nacionais que já participaram em provas continentais.
A seleção cabo-verdiana sofreu, contudo, um contratempo de última hora com a lesão de um dos principais atletas masculinos, Admilson, que sofreu uma entorse durante um treino. A equipa médica acredita, porém, que o jogador poderá recuperar a tempo da competição.
Para António Rodrigues, o impacto do torneio vai muito além da vertente desportiva. O dirigente considera que a realização de eventos internacionais representa uma oportunidade para dinamizar a economia local, beneficiando hotéis, restaurantes, comércio e restantes operadores turísticos.
“Quem ganha é a ilha, quem ganha é o país. Ganha o turismo, os hotéis, o comércio e toda a população. Quanto maior for a duração destes eventos, maior será o impacto económico para São Vicente”, sublinhou.
Embora reconheça que será difícil lutar pelos primeiros lugares perante algumas das melhores duplas do circuito mundial, António Rodrigues considera que o maior triunfo para Cabo Verde passa pelo desenvolvimento da modalidade.
A realização do torneio permitirá aos jovens atletas assistir a jogos de alto nível, além de deixar no país equipamentos oficiais, como bolas, redes e material técnico, contribuindo para melhorar as condições de treino.
“O importante é que os nossos jovens possam ver voleibol de praia do mais alto nível e que o país fique com melhores condições para desenvolver a modalidade. Os grandes eventos constroem-se passo a passo. O segundo ano será melhor do que o primeiro, o terceiro melhor do que o segundo. É assim que se cria uma grande competição”, concluiu.
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