
Tendo em conta a análise dos documentos (processos clínicos), audição dos intervenientes e a visita realizada ao serviço de Neonatologia, a comissão de inquérito do Ministério da Saúde concluiu que óbitos estavam relacionados a casos de sepse neonatal tardia, uma grave infecção que afeta prematuros e prematuros extremos.
A divulgação dos resultados foi feita, esta segunda-feira, 05 de junho, em conferência de imprensa, na cidade da Praia, Santiago, na sala de reuniões do Ministério da Saúde.
A comissão foi formada por três elementos, a médica Iolanda Landim, Gineco-obstetra, António Cruz, médico Neonatologista, ambos em exercício no Hospital Universitário Agostinho Neto, e a médica Edite Silva, Coordenadora do Programa Nacional do Doente e dos trabalhadores da Saúde.
Conforme a coordenadora da comissão de inquérito, Yolanda Landim, da apuração dos fatos, alega que constatou-se que a “grande maioria das gestantes tinha uma gravidez com risco aumentado para parto pré-termo, pelos antecedentes, e foram seguidas nas estruturas primárias de saúde”. Assegurou, ainda, que todas tinham indicação para seguimento na consulta de alto risco para grávidas.
O inquérito, conforme a coordenadora, apurou que a assistência às mães no serviço de obstetrícia do Hospital Dr. Baptista de Sousa respeitou os procedimentos técnicos e os protocolos clínicos nacionais.
Outrossim, assegura que “do ponto de vista humano a assistência da parte dos profissionais foi admissível” e que todo o protocolo foi respeitado.
“Houve parco cumprimento do protocolo nacional de tratamento e seguimento dos recém-nascidos prematuros”.
A investigação interna, conduzida em colaboração com as autoridades centrais, revelou uma “conscientização” por parte dos profissionais de saúde sobre a “gravidade da situação”, o que desencadeou medidas corretivas para detetar e corrigir as inconformidades e, assim, salvar vidas.
O inquérito concluiu que “a assistência pré-natal foi cumprida”. No entanto, “a qualidade e segurança da assistência durante o internamento do ponto de vista técnico e humano das mães e dos recém-nascidos foi razoavelmente satisfatória”, e que “são recém-nascidos prematuros e prematuros extremos que poderão ter falecido por sepse neonatal tardia”.
Diante dos resultados obtidos, a comissão de investigação apresentou recomendações com o objetivo de melhorar a qualidade dos cuidados e prevenir futuras tragédias.
Entre as principais recomendações estão a capacitação dos profissionais na área de comunicação, humanização e liderança, a elaboração de um plano anual de atualização e supervisão do cumprimento dos protocolos nacionais, a promoção de uma cultura de discussão interna sobre óbitos não esperados e casos de não conformidade.
Adianta ainda a integração de psicólogos nas equipas para aprimorar a assistência aos pacientes, o aperfeiçoamento da articulação entre os serviços de atenção primária, secundária e terciária, o reforço dos recursos humanos para melhorar a qualidade do atendimento e a melhoria da comunicação entre o serviço e os pacientes, a fim de torná-la mais eficaz e eficiente.
A comissão de inquérito composta é composta por Iolanda Landim, (Gineco-obstetra, em exercício no Hospital Universitário Agostinho Neto – HAN- que coordena), António Cruz, médico Neonatologista em exercício no HAN e a Doutora Edite Silva, Coordenadora do Programa Nacional do Doente e dos trabalhadores da Saúde.
AC – Estagiária