A iniciativa é promovida pela Escola de Natação e de Salvamento Nhô Fula e financiada pela Embaixada do Grão-Ducado do Luxemburgo.
Duzentas crianças vão aprender a nadar gratuitamente em São Vicente, no âmbito de um projeto social promovido pela Escola de Natação e de Salvamento Nhô Fula, com financiamento da Embaixada do Grão-Ducado do Luxemburgo. A iniciativa, que decorre até agosto, pretende promover a segurança da vida humana no meio aquático, prevenir afogamentos e democratizar o acesso ao ensino da natação entre crianças dos 6 aos 14 anos.

O formador da escola, Silas Leite, considera que ensinar a nadar é uma das mais importantes medidas de prevenção e proteção civil. “O principal instrumento da proteção civil no meio aquático é a pessoa aprender a nadar. Existe o nadador-salvador para socorrer quem está em perigo, mas há também o instrutor, que ensina a pessoa a salvar-se a si própria”, afirmou.
Além da componente de segurança, Silas Leite destaca que a aprendizagem da natação representa uma mais-valia para o acesso a profissões ligadas ao mar, ao mesmo tempo que contribui para o lazer, a educação, a saúde e a prática desportiva.
Esta é a primeira vez que a escola consegue integrar 200 crianças num único projeto, graças ao financiamento da Embaixada do Grão-Ducado do Luxemburgo. Segundo o responsável, anteriormente tinham sido desenvolvidas iniciativas semelhantes, mas com grupos entre 30 e 100 participantes.
O formador defende que este apoio deve ser apenas o início de uma parceria de longa duração. O objetivo passa por garantir financiamento para os próximos cinco a dez anos, permitindo dar continuidade ao projeto e alargá-lo a todas as ilhas do arquipélago.
“A partir deste momento os desafios são outros. Precisamos consolidar esta parceria e envolver outras entidades para que, todos os anos, possamos continuar a oferecer estas aulas. Estamos preparados para levar este projeto a qualquer ilha de Cabo Verde”, assegurou.
A iniciativa conta ainda com jovens monitores, muitos deles estudantes em processo de formação superior, que encontram neste projeto uma oportunidade de adquirir experiência profissional e obter um rendimento complementar.
Silas Leite mantém também a defesa de uma antiga reivindicação: a introdução da natação nas escolas cabo-verdianas desde a infância. Recorda que, em vários países com melhores infraestruturas, as crianças aprendem a nadar muito cedo, realidade que ainda não é possível em São Vicente devido à falta de piscinas públicas suficientes.
O responsável revelou que já existiu um projeto para construção de piscinas na ilha, entre 2003 e 2004, que acabou por não avançar. Considera, por isso, essencial unir esforços entre escolas, associações e federação para desenvolver a modalidade de forma organizada e sustentável.
“As associações praticamente não funcionam. Dá a sensação de que está tudo bem, mas não está. É preciso criar continuidade. Tudo isto deve começar pelas crianças”, defendeu.
As aulas destinam-se, sobretudo, a crianças entre os 7 e os 14 anos, embora sejam admitidas algumas exceções para participantes entre os 6 e os 15 anos. Segundo Silas Leite, a partir dos seis anos as crianças já possuem maturidade cognitiva suficiente para assimilar as técnicas básicas da natação.
O formador alerta ainda para a vulnerabilidade de Cabo Verde enquanto país insular, lembrando que o arquipélago possui cerca de 734 mil quilómetros quadrados de espaço marítimo, tornando indispensável investir na prevenção.
Além da formação de crianças, a Escola de Natação e de Salvamento Nhô Fula desenvolve ações dirigidas a pescadores, profissionais marítimos e agentes da proteção civil, muitos dos quais, afirma, ainda não dominam técnicas básicas de natação e sobrevivência aquática.
Silas Leite chamou igualmente a atenção para os números dos afogamentos no país, referindo que Cabo Verde ocupa a 25.ª posição mundial em mortalidade por afogamento e recordando que a Organização Mundial da Saúde classifica este fenómeno como um problema de saúde pública negligenciado.
“Todos os anos perdemos vidas. Temos de continuar a trabalhar e sensibilizar a população. A comunicação social, as escolas e toda a sociedade devem abraçar esta causa”, apelou.
O projeto prolonga-se até ao final de agosto. Durante o mês de julho, os participantes frequentam o nível de adaptação ao meio aquático, aprendendo técnicas de respiração, flutuação, equilíbrio e deslocação. Em agosto, avançam para o nível seguinte, onde iniciam a aprendizagem do estilo livre, permitindo-lhes adquirir competências essenciais para se movimentarem em segurança dentro de água.
O encerramento está previsto para o primeiro fim de semana de setembro, com uma atividade final que assinalará a conclusão da formação.
Silas Leite acrescenta ainda que vários estudos científicos demonstram que as crianças que aprendem a nadar apresentam maior capacidade de concentração e melhores resultados escolares.
As aulas são totalmente gratuitas para os 200 beneficiários, graças ao financiamento assegurado pela Embaixada do Grão-Ducado do Luxemburgo. Fora deste projeto, a escola continua a disponibilizar aulas mediante uma propina considerada social, entre 1.200 e 2.000 escudos, com o propósito de tornar a aprendizagem da natação acessível ao maior número possível de famílias.
NN