Há um facto histórico que importa recordar no momento em que volta a discutir-se a forma como o nome do nosso país deve ser escrito.

A decisão de passar a utilizar oficialmente “Cabo Verde”, sem tradução para qualquer idioma, não surgiu por acaso nem foi uma imposição das Nações Unidas. Foi uma iniciativa do próprio Estado cabo-verdiano, através do Governo liderado por José Maria Neves.
Em 24 de outubro de 2013, o Governo de Cabo Verde, por intermédio da Missão Permanente junto das Nações Unidas, enviou uma comunicação oficial ao então Secretário-Geral da ONU solicitando que o nome do país deixasse de ser traduzido em todas as línguas oficiais da organização.
A partir dessa data, a ONU passou a adotar oficialmente:
República de Cabo Verde como designação oficial do Estado;
Cabo Verde como forma abreviada, em todas as línguas, abandonando traduções como Cape Verde, Cap-Vert ou outras variantes.
A decisão representou um passo importante na afirmação da identidade nacional.
O objetivo era simples: fazer com Cabo Verde o mesmo que já acontecia com países como Burkina Faso, Timor-Leste ou Côte d’Ivoire, cujos nomes oficiais são respeitados internacionalmente, independentemente da língua em que o documento é escrito.
Na altura, o Governo de José Maria Neves justificou a iniciativa com a necessidade de reforçar a identidade do país, uniformizar a sua designação nos organismos internacionais e consolidar a marca “Cabo Verde” na diplomacia, no turismo, na economia e na cultura.
A decisão foi imediatamente acolhida pelas Nações Unidas e acabou por influenciar diversos organismos internacionais, que passaram a utilizar oficialmente a designação Cabo Verde.
É verdade que alguns meios de comunicação internacionais continuam, por tradição editorial, a escrever Cape Verde. Mas isso não altera um facto: desde 2013, a posição oficial do Estado cabo-verdiano é que o nome do país não deve ser traduzido.
Por isso, quando hoje se discute se devemos escrever “Cape Verde”, “Cap Vert” ou qualquer outra tradução, importa recordar que foi precisamente um Governo liderado por José Maria Neves quem conduziu uma das mais importantes batalhas diplomáticas da afirmação da identidade cabo-verdiana. Para ele , agora na qualidade de Presidente da República aparecer com uma camisola com vários nomes para Cabo Verde .
Foi uma decisão de Estado, não de um partido. Portanto deve ser respeitada pelo Presidente da Republica. Uma decisão que procurou afirmar perante o mundo que, tal como os povos escolhem a sua bandeira e o seu hino, também têm o direito de escolher o nome pelo qual querem ser conhecidos.
E esse nome é um só:
Cabo Verde.
Eduino Santos