MpD considera “arriscado” acumular Finanças e Chefia do Governo e aponta incoerências no novo Executivo

20/06/2026 20:15 - Modificado em 20/06/2026 20:15

O Movimento para a Democracia (MpD) felicitou o novo Governo liderado por Francisco Carvalho e desejou-lhe sucessos, mas manifestou reservas em relação à decisão do primeiro-ministro de acumular também a pasta das Finanças, classificando-a como “muito arriscada”.

Num comunicado divulgado após a tomada de posse do novo Executivo, realizada na quinta-feira, dia 19, o principal partido da oposição afirmou que irá exercer uma oposição “séria, firme e responsável”. Ainda assim, alertou para o que considera serem “os primeiros sinais de incumprimento das promessas” eleitorais do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

A principal crítica do MpD centra-se na acumulação das funções de primeiro-ministro com a tutela das Finanças. O partido entende que se trata de uma área altamente técnica e exigente, fundamental para a condução da política económica do país.

Segundo o MpD, o Ministério das Finanças desempenha um papel essencial na economia nacional, com impacto direto no crescimento económico, nas receitas do Estado, no rendimento das famílias e na estabilidade macroeconómica, exigindo dedicação permanente e especializada.

Por isso, o partido considera que acumular esta pasta com a chefia do Governo pode prejudicar o desempenho da governação e afetar a confiança de investidores e parceiros internacionais, defendendo que a opção representa “um risco elevado com potenciais prejuízos para o país”.

O MpD criticou ainda a composição do novo Executivo, alegando que contraria promessas feitas durante a campanha eleitoral. O partido recorda que tinha sido anunciada uma equipa com 14 membros, entre ministros e secretários de Estado, mas que o Governo agora empossado conta com 18 governantes.

Na ótica da oposição, este aumento vai contra o compromisso de reduzir as chamadas “gorduras do Estado”.

Outro ponto de crítica prende-se com a representatividade feminina no Governo. O MpD sublinha que, apesar de a igualdade de género ter sido uma bandeira do PAICV durante a campanha, o novo Executivo integra apenas duas ministras e uma secretária de Estado, o que considera ser a menor participação feminina desde a implantação da democracia em Cabo Verde.

O partido recorda ainda que a valorização da igualdade de género foi frequentemente defendida pelo PAICV, que chegou a criticar o MpD por alegada falta de atenção a esta questão.

O MpD apelou também a uma maior contenção verbal por parte de membros do Governo, defendendo que o país precisa de estabilidade e respostas concretas para os problemas da população.

Apesar das críticas, o partido reiterou que está disponível para apoiar todas as medidas que contribuam para o desenvolvimento de Cabo Verde e para a melhoria das condições de vida dos cidadãos.

No mesmo comunicado, o MpD lamentou ainda que os partidos da oposição não tenham sido ouvidos pela comunicação social durante a cerimónia de tomada de posse, considerando a situação preocupante e incompatível com a pluralidade democrática.

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