
O Presidente da República, José Maria Neves, conferiu posse esta sexta-feira, 19 de junho de 2026 ao XI Governo Constitucional, numa cerimónia marcada por uma forte mensagem de confiança, exigência e esperança no futuro de Cabo Verde.
Na sua intervenção, o Chefe de Estado afirmou que as expectativas da população serão a principal medida para avaliar o sucesso do novo Executivo, sublinhando que o país atravessa uma fase decisiva da sua história.
José Maria Neves apelou ao Governo para governar com “coragem de ousar, sabedoria de escutar e determinação de realizar”, defendendo uma liderança capaz de responder aos desafios que o arquipélago enfrenta.
Recorrendo ao exemplo da selecção nacional de futebol, o Presidente destacou a atitude dos Tubarões Azuis como inspiração para o país.
“Tal como os nossos Tubarões Azuis entraram em campo sem receio dos prognósticos, também Cabo Verde deve enfrentar o futuro com confiança nas suas capacidades”, afirmou.
Para o Chefe de Estado, essa cultura de excelência deve ser aplicada em sectores estratégicos como a educação, a ciência, a economia e a administração pública.
“Precisamos de Tubarões Azuis em todos os domínios da vida nacional”, reforçou.
Durante o discurso, José Maria Neves reconheceu que o novo Governo terá pela frente uma agenda exigente de reformas, num contexto internacional marcado por incertezas geopolíticas, alterações climáticas e desaceleração económica.
Entre as prioridades identificadas, destacou a necessidade urgente de melhorar as ligações marítimas e aéreas entre as ilhas, reduzir a pobreza, combater as desigualdades e as assimetrias regionais, criar mais empregos e assegurar melhores rendimentos para as famílias cabo-verdianas.
No domínio do desenvolvimento sustentável, apontou ainda a aceleração da transição energética, a garantia do acesso à água e o reforço dos sectores da saúde, educação, justiça e segurança como áreas fundamentais para o progresso do país.
O Presidente da República sublinhou igualmente a importância da defesa da liberdade de imprensa e apelou à oposição para desempenhar um papel “responsável, fiscalizador e construtivo”, contribuindo para consensos que permitam desbloquear a instalação de órgãos externos à Assembleia Nacional que aguardam nomeação há vários anos.
José Maria Neves garantiu também total cooperação institucional ao novo Executivo, desde que seja preservado o respeito mútuo entre os órgãos de soberania.
Numa mensagem dirigida à sociedade cabo-verdiana, o Chefe de Estado alertou para os riscos da polarização política e da “hiperpolitização do espaço público”, defendendo uma cultura de diálogo e união nacional.
O apelo estendeu-se igualmente à diáspora cabo-verdiana, convidada a participar activamente no desenvolvimento do país.
A encerrar o discurso, José Maria Neves deixou uma mensagem de confiança no futuro de Cabo Verde. “Se um povo espalhado por dez ilhas e por uma vasta diáspora conseguiu transformar impossibilidades em conquistas, não existe desafio demasiado grande para a nossa ambição colectiva. O melhor de Cabo Verde ainda está por construir”, concluiu.