
Um incêndio de grandes proporções deflagrou esta sexta-feira em Ponta Belém, na cidade da Praia, destruindo mais de 80 por cento das bancas de roupa da zona, afectando habitações e um edifício nas proximidades, e mobilizando um vasto dispositivo dos bombeiros, que continuaram durante várias horas nas operações de combate às chamas.
De acordo com testemunhas no local, o fogo teve início pouco antes das 15h00 e propagou-se rapidamente, consumindo grande parte das mercadorias comercializadas pelas vendedeiras da área. Cerca de meia hora após o início do incêndio, as chamas permaneciam activas, apesar dos esforços para as controlar.
As primeiras informações apontam para a destruição de mais de 80 por cento das roupas e outros artigos destinados à venda, afectando sobretudo mulheres que dependem exclusivamente desta actividade para garantir o sustento das suas famílias.
Perante a rápida propagação do fogo, moradores, comerciantes e transeuntes mobilizaram-se para tentar salvar bens e impedir que as chamas atingissem outras estruturas. Segundo relatos recolhidos no local, a porta do espaço onde estavam armazenadas diversas mercadorias permaneceu encerrada durante alguns momentos, tendo sido posteriormente arrombada para permitir a retirada de parte dos bens.
A intervenção popular permitiu salvar algumas mercadorias antes da chegada dos bombeiros. No entanto, a situação gerou momentos de tensão, com várias pessoas a manifestarem descontentamento relativamente à resposta inicial ao incêndio. Alguns moradores afirmaram ter contactado os serviços de emergência logo após detectarem o fogo.
Além da área comercial, o incêndio atingiu algumas habitações e um edifício próximo, aumentando a preocupação dos moradores e agravando os prejuízos causados pelo sinistro.
No local predominou um ambiente de consternação, marcado pelo choro e desespero de várias vendedeiras que assistiam à destruição de bens acumulados ao longo de anos de trabalho.
Uma fonte dos bombeiros ouvida pela Inforpress indicou que as causas do incêndio ainda não foram determinadas. No entanto, uma das hipóteses em análise aponta para a possibilidade de fogo posto, cenário que deverá ser confirmado ou descartado no âmbito das investigações em curso.
Até ao momento, não há registo de vítimas nem um balanço oficial dos prejuízos.
As comerciantes afectadas pelo incêndio pedem agora esclarecimentos sobre as causas do sinistro e medidas concretas de apoio para minimizar os prejuízos sofridos.
Maria Tavares, que exerce actividade comercial em Ponta Belém há mais de 15 anos, afirmou nunca ter imaginado presenciar uma situação semelhante num espaço onde trabalha há vários anos.
Segundo a comerciante, os vendedores sempre acreditaram que o local reunia condições de segurança, razão pela qual o incêndio apanhou todos de surpresa.
Maria Tavares revelou ainda que parte das mercadorias que escaparam às chamas acabou danificada pela água utilizada nas operações de combate ao fogo, agravando ainda mais as perdas.
A vendedeira questionou igualmente quais serão as medidas a adoptar pelas autoridades após o incêndio, especialmente no que diz respeito à segurança dos comerciantes e ao futuro das famílias que dependem daquela actividade económica.
Entre os afectados encontra-se também Eduarda da Veiga, comerciante há cerca de 30 anos em Ponta Belém, que viu os seus bens ameaçados pelo incêndio e partilha das preocupações quanto ao futuro dos vendedores da zona.
Enquanto decorrem as investigações para apurar as causas do incêndio, os comerciantes aguardam respostas das autoridades e medidas de apoio que lhes permitam retomar a actividade e reconstruir os seus meios de subsistência.
NN/Inforpress