Banco Alimentar alerta para quebra nas doações em São Vicente

30/05/2026 21:28 - Modificado em 30/05/2026 21:28

A Fundação Donana diz que mais de uma centena de famílias necessita de apoio regular e apela à solidariedade da população e das empresas.

A delegada da Fundação Dona Ana e do Banco Alimentar em São Vicente, Hermânia da Cruz, manifestou preocupação com a fraca adesão à mais recente campanha de recolha de alimentos, alertando para o aumento das necessidades alimentares na ilha e para a redução das doações por parte de particulares, empresas e instituições.

A campanha, realizada duas vezes por ano a nível nacional e em articulação com o Banco Alimentar de Portugal, decorreu em vários minimercados da ilha, onde voluntários sensibilizaram os clientes para a doação de géneros alimentares destinados à confeção de cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade.

Segundo Hermânia da Cruz, o principal objetivo é apoiar pessoas com deficiência, idosos, acamados e famílias com dificuldades económicas ou limitações alimentares. No entanto, a adesão ficou aquém das expectativas.

“A campanha teve uma fraca adesão. Tivemos dificuldades em conseguir voluntários e algumas lojas já não demonstram o mesmo interesse em autorizar este tipo de iniciativas devido à reduzida participação do público”, afirmou.

A responsável reconhece que fatores como a situação económica e os efeitos de fenómenos climáticos podem estar a influenciar a disponibilidade das pessoas para ajudar, mas recorda que em anos anteriores a resposta da comunidade era mais significativa.

Apesar das dificuldades, o Banco Alimentar conseguiu, até março deste ano, apoiar cerca de 1.800 pessoas através de associações, instituições e apoios diretos a famílias afetadas por problemas habitacionais e outras situações de emergência social.

Hermânia da Cruz lamenta, contudo, que o número de pessoas necessitadas continue a aumentar. “Hoje encontramos casos mais graves. Há pessoas que passam semanas sem consumir uma refeição quente. A necessidade aumentou, enquanto as ofertas diminuíram”, sublinhou.

A delegada admite ainda que a confiança de alguns doadores poderá ter sido afetada por situações em que apoios chegaram a pessoas que não apresentavam necessidades reais. Ainda assim, garante que os beneficiários do Banco Alimentar são famílias devidamente identificadas e acompanhadas.

Atualmente, a instituição acompanha de forma regular mais de uma centena de famílias em São Vicente. No entanto, a escassez de recursos impede uma resposta permanente a todos os casos, obrigando à distribuição alternada dos apoios.

Entre os grupos mais vulneráveis estão idosos que vivem sozinhos, pessoas com deficiência e cidadãos com limitações físicas que os impedem de trabalhar ou de procurar ajuda. “Há pessoas que dependem exclusivamente da solidariedade dos vizinhos para sobreviver”, alertou.

Perante este cenário, Hermânia da Cruz defende a criação de parcerias duradouras com empresas, instituições e particulares que possam apadrinhar famílias ou contribuir regularmente para garantir uma ajuda contínua.

A responsável revelou ainda casos preocupantes de estudantes deslocados de outras ilhas que enfrentam dificuldades alimentares severas. Um dos exemplos referidos foi o de um estudante universitário proveniente de Santo Antão que chegou a ser hospitalizado devido a um quadro de desidratação.

Para quem desejar contribuir, o Banco Alimentar de São Vicente mantém abertas as portas à solidariedade. Os interessados podem entrar em contacto através do número 982 52 78 para efetuar doações ou obter mais informações sobre as necessidades existentes.

“Há pessoas que estão verdadeiramente a passar fome. Precisamos que a comunidade volte a olhar para esta realidade e a ajudar quem mais precisa”, apelou Hermânia da Cruz.

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