A ilha de São Vicente volta a receber mais uma edição do festival Tchon Poesia este ano celebra a sua 6.ª edição.

Em conferencia de imprensa, o coordenador-geral do festival, José Pinto, destacou que um dos pontos altos desta edição será a homenagem ao mestre Vasco Martins, figura incontornável da cultura cabo-verdiana. “A cidade do Mindelo e a ilha de São Vicente foram unânimes em reconhecer a importância de homenagear Vasco Martins”, afirmou o responsável que avançou ainda que o ato de homenagem, uma conversa aberta, vai contar com a participação de José Manuel Meira e Tchalé Figueira.
O festival contará ainda com convidados internacionais, entre eles o poeta experimental português Fernando Aguiar, considerado uma referência da poesia experimental em língua portuguesa.
Outro destaque é a presença do poeta galego Moncho Iglesias Míguez, vindo de Espanha para apresentar o livro Baobab, uma obra que reúne poesia e fotografia inspiradas nas suas viagens pelo continente africano.
Grande parte das actividades decorre no PNAT, mas a programação estende-se também a vários espaços da cidade, promovendo o diálogo artístico, a troca de experiências e os processos criativos.
Entre os encontros previstos está ainda uma conversa entre o professor doutor João Medina e Fernando Aguiar, subordinada ao tema da escrita como forma de resistência e da criatividade como ferramenta para enfrentar os desafios do quotidiano.
José Pinto sublinha que o Tchon Poesia continua a afirmar-se como um espaço de “polifonia poética”, onde a linguagem serve de ponte entre diferentes culturas e sensibilidades.
“A poesia pode construir relações e aproximar os povos, independentemente das diferenças e identidades de cada um”, defendeu.
Ao fim de seis edições, o responsável acredita que o festival já faz parte do calendário cultural de São Vicente e até desperta interesse além-fronteiras.
“Já há pessoas que acompanham o festival de fora e querem participar. Este ano, por exemplo, Fernando Aguiar e Moncho Iglesias autoconvidaram-se para estar connosco”, revelou.
O festival mantém também uma forte ligação à educação, levando actividades às escolas e trazendo estudantes para participarem nas iniciativas culturais.
Esta quinta-feira, estão previstas apresentações de Teatro de Sombras na Escola António Aurélio Gonçalves, enquanto na sexta-feira as actividades decorrem na Escola Técnica.
Na sessão de abertura, marcada para as 17 horas no CNAD, serão apresentados dois fanzines produzidos por alunos do ensino recorrente do Liceu Jorge Barbosa, além de uma revista de poesia criada por reclusos da Cadeia Central.
Segundo a organização, o objectivo é dar espaço e visibilidade a vozes que nem sempre encontram lugar no discurso público, reforçando o carácter inclusivo e comunitário do Tchon Poesia.
“É um festival construído pela cidade e para a cidade, acolhendo também quem vem de fora para partilhar experiências e criatividade”, concluiu José Pinto.
NN