“Ilhas Sem Plástico”: Biosfera lança projeto de 1,5 milhões de euros para proteger Santa Luzia e São Vicente

27/05/2026 18:02 - Modificado em 27/05/2026 18:15

O projeto é implementado em parceria com a SMILO, a Associação Lixo ao Luxo, a Consultancis e conta com o apoio do Fundo Francês para o Ambiente Mundial.

A associação Biosfera apresentou, hoje, 27 de maio 2026, em São Vicente, oficialmente o projeto “Ilhas Sem Plástico”, uma iniciativa ambiental avaliada em cerca de 1,583 milhões de euros, destinada a combater a poluição plástica e preservar a biodiversidade nas ilhas de Santa Luzia e São Vicente.

Durante a apresentação oficial, a directora executiva da Biosfera, Nadina Rodrigues, destacou que a iniciativa surge como resposta ao crescente problema da poluição plástica em Cabo Verde, um país insular particularmente vulnerável aos impactos ambientais e às correntes oceânicas que transportam resíduos para as suas costas.

Segundo a responsável, a poluição plástica representa uma ameaça séria à biodiversidade, aos ecossistemas marinhos e costeiros e também à saúde pública. “Uma gestão eficaz destes resíduos constitui um dos imperativos centrais para a preservação ambiental e para o desenvolvimento sustentável do país”, afirmou.

Nadina Rodrigues sublinhou ainda que o projeto simboliza um marco importante para a organização, refletindo mais de duas décadas de trabalho da Biosfera na conservação ambiental e no fortalecimento da consciência ecológica em Cabo Verde.

A coordenadora do projeto, Sara Santos, explicou que o “Ilhas Sem Plástico” foi concebido há vários anos e assenta numa forte rede de parcerias nacionais e internacionais.

O principal objetivo passa pela redução da poluição plástica em São Vicente e Santa Luzia, através de uma estratégia integrada que envolve instituições públicas, setor privado, escolas, universidades e comunidades locais.

De acordo com Sara Santos, o projeto pretende atuar em toda a cadeia de consumo do plástico, desde a importação e distribuição até ao consumo e gestão dos resíduos.

“Cabo Verde depende fortemente da importação de produtos e, com isso, acaba também por importar grandes quantidades de lixo”, alertou.

A coordenadora destacou ainda a componente científica da iniciativa, que prevê a realização de estudos para identificar os tipos de plásticos encontrados nas praias cabo-verdianas e compreender melhor o impacto destes resíduos no ambiente marinho.

Embora a intervenção inicial esteja centrada em São Vicente e Santa Luzia, a ambição é expandir posteriormente os resultados e as estratégias desenvolvidas para todas as ilhas do país.

“O projeto é piloto. Os resultados obtidos aqui poderão servir de base para melhores estratégias nacionais, incluindo políticas públicas, legislação e ações de sensibilização”, explicou.

Entre os impactos ambientais esperados está a redução do emaranhamento de espécies marinhas em resíduos plásticos e redes de pesca abandonadas, conhecidas como “redes fantasmas”.

O projeto pretende ainda combater o problema dos microplásticos, partículas invisíveis a olho nu que entram na cadeia alimentar através dos peixes consumidos pela população.

Outro foco importante será a proteção das tartarugas marinhas em Santa Luzia, sobretudo durante o período de nidificação, uma vez que muitos juvenis acabam presos em resíduos antes mesmo de chegarem ao mar.

Com uma duração prevista de três anos, o “Ilhas Sem Plástico” aposta também na sensibilização pública e na criação de práticas sustentáveis que possam continuar a ser aplicadas após o término do financiamento.

A embaixadora da França em Cabo Verde, Catherine Mancip, destacou que o projeto está alinhado com os compromissos internacionais assumidos por Cabo Verde na proteção dos oceanos e da biodiversidade marinha.

Segundo a diplomata, a iniciativa contribuirá para reduzir a poluição plástica na origem, reforçar a sensibilização ambiental, promover alternativas ao plástico descartável e restaurar áreas de nidificação das tartarugas marinhas em Santa Luzia.

Catherine Mancip lembrou ainda que Cabo Verde já proibiu a utilização de plásticos de uso único e considerou que o projeto poderá servir de modelo para outros pequenos Estados insulares.

A embaixadora revelou igualmente que a França está a apoiar outras iniciativas complementares no arquipélago, incluindo o desenvolvimento de um centro de triagem de resíduos em Mindelo e projetos de reciclagem de lixo marinho.

“Este é um desafio global para todos os arquipélagos vulneráveis às correntes marinhas e à poluição plástica. A cooperação internacional é essencial para garantir um desenvolvimento climaticamente sustentável”, concluiu.

NN

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